Historial: Embora não se disponha de nenhuma informação sobre o modo de como esta cadeira entrou na coleção do Dr. Frederico de Freitas, estamos perante um exemplar muito raro, cuja origem de fabrico data da primeira metade do século XVII. Trata-se de uma tipologia de características renascentistas que se definia por um grande equilíbrio estrutural, de secção quadrangular, assim como por uma sobriedade que era conferida pelas prumadas retas e lisas e pela tonalidade escurecida do couro que revestia o encosto e assento. O pé era a continuidade das pernas. Na maioria dos casos, a decoração limitava-se ao lavor da talha, pouco relevada e normalmente recortada e vazada, da testeira, situada na continuidade das pernas dianteiras. Como contraponto o brilho das tachas, responsáveis pela fixação do couro à estrutura, e os pináculos, colocados no remate dos montantes, em latão dourado, permitiam um vivo contraste com as tonalidades mais escuras da madeira e do próprio couro. Para o especialista António Proença os pináculos "invariavelmente torneados em latão dourado e colocados no remate das prumadas" eram os elementos que distinguiam as nossas cadeiras desta época das suas congéneres europeias, que normalmente exibiam "pináculos executados em madeira". Igualmente sobre esta tipologia o mesmo autor específica que se apresentavam sem braços para permitir a sua larga utilização pelas damas que trajavam vestidos e saias à vertugarda, assim denominados pela armação interior de grande amplitude, cuja moda vinda de França no último quartel do século XVI teve grande voga na Europa, continuando no século XVII.
Descrição: Móvel de repouso. Par de cadeiras em madeira de carvalho, de linhas direitas e sóbrias, com encosto e assento de couro lavrado preso por pregaria grossa de latão. Pernas de secção quadrangular, lisas, reforçadas com uma travessa lateral, baixa e de recorte inferior ondulado, e uma na traseira a meia altura. Na frente enquadra-se a testeira recortada, entalhada e vazada com feixe floral e volutas afrontadas nas extremidades. Ornamentação do couro com motivos vegetalistas que se repetem tanto no espaldar como no assento. Estes motivos são constituídos por uma moldura rendilhada, de secção ondulada, estilizando folhas, seguido de um friso de pequenos quadrifólios envolvendo um fundo onde se inscreve, nos ângulos cantonais, flores e folhagens geometricamente dispostas em torno de uma outra flor central estilizada e de maiores dimensões.