Ficha de Inventário

Almude

  • Museu: Museu Etnográfico da Madeira
  • Nº de Inventário: MEM96/203
  • Supercategoria: Ciência e Técnica
  • Categoria: Metrologia
  • Datação: Século 20
  • Técnica: Peça escavada num tronco de árvore
  • Dimensões (cm): Alt. 38.2 x Larg. 26.7 x Diâm. 32.2
  • Descrição: Recipiente "talhado" num tronco de árvore, com uma base plana, corpo tronco-cónico e bordo circular com bico arredondado. Possui duas asas verticais, uma oval junto ao bordo e outra retangular do lado oposto, dispostas no corpo. O fundo, está pregado ao corpo principal, reforçado com um aro de ferro.
  • Origem/Historial: No passado o lagar apresentava-se como um elemento primordial da faina vitivinícola, uma vez que a sua utilização era imprescindível para a transformação das uvas em vinho. O colono europeu que aportou estas terras virgens trouxe consigo, para além de alguns bacelos e de boas cepas, o instrumental (ou conhecimento) necessário para a sua construção e montagem (…). Em terras de boas madeiras teremos o lagar de madeira a rivalizar com as suas lagariças de pedra, que parecem ter sido pouco usuais na ilha. Ao nível tecnológico, é possível estabelecer a forma da sua evolução. Tudo indica que, a par dos rústicos lagares escavados na rocha, existiram outros feitos em tronco de madeira, geralmente de dragoeiro, com vara, sem parafuso, sendo o reforço do peso feito num prato como o da balança decimal. Este era conhecido como o lagar do cocho. Na documentação fala-se em lagariças de pedra e pau. Mais tarde ter-se-á generalizado o lagar quadrangular, segundo A. Sarmento, feito de “tábuas justas, calafetadas em caixa aberta com biqueira, sobre o suporte de traves, encimando-o a vara do lagar, grossa viga articulada num extremo e apoiada no outro por uma porca, onde vem montar um alto parafuso de madeira, ligado a um pesado bloco de pedra. Esta suspende, ao levantar-se, o parafuso de pau branco, transforando a vara, e actua como reforço, premindo a alavanca inter-resistente sobre o bagaço, depois deste ter sofrido o primeiro piso, a pé lavado”. O lagar de cocho foi o mais divulgado entre os pequenos proprietários, sendo o usual no século XVII e XVIII. (…) O lagar de madeira calafetada, com a vara de pinho, castanho, ou eucalipto e o fuso de pau branco, seria usual nas casas de famílias abastadas, com a possibilidade dos construírem.(…)"
  • Incorporação: Lote de 6 medidas de vinho, adquirido na "Atrium", no valor total de 3 000$00. Encontrando-se na DRAC, esta peça foi transferida e incorporada no espólio do Museu Etnográfico da Madeira aquando da sua abertura em 1996.

Bibliografia

  • VIEIRA, Alberto; "O comércio inter-insular nos séculos XV e XVI. Madeira, Açores e Canárias", Secretaria Regional do Turismo e Cultura, Centro de Estudos da História do Atlântico, Funchal, 1987.
  • VIEIRA, Alberto, Breviário da vinha e do vinho na Madeira, 2ª ed. (Revista pelo autor) Eurosigno Publicações, Lda. Braga, 1991.

Multimédia

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