Descrição: Barrete de fabrico artesanal, em lã de ovelha, castanha-escura, em forma de funil invertido, encimado por uma "borla" franjada, com duas abas, em forma de triângulo que cobrem as orelhas (designadas popularmente por "orelhas").
Origem/Historial: A lã de ovelha era utilizada pelo povo madeirense na confecção de um tipo de barretes tradicionais, os chamados barretes de vilão ou barretes de orelhas. Os mais comuns, que ainda hoje se comercializam, possuem no alto uma pequena borla de lã e nos lados dois apêndices que se levantam ou se deixam cair sobre as orelhas.
Segundo alguns autores, a confecção destes barretes constituía, antigamente, em algumas freguesias, uma indústria privativa dos homens dessas localidades. Actualmente, trata-se de uma actividade feminina e grande parte das artesãs utilizam lã de fabrico industrial.
As tosquias, para obtenção desta matéria-prima, constituíam um acontecimento de grande importância na vida da população rural, das zonas serranas.
A florestação dos baldios, a diminuição das áreas de pastagens disponíveis e as medidas restritivas à pastagem do gado na serra, bem como o êxodo rural, contribuíram decisivamente para a diminuição da criação de gado ovino e, consequentemente, a lã deixou de ser utilizada como matéria-prima, na produção artesanal.
Embora, actualmente, se comercialize apenas um modelo destes barretes, antigamente a sua morfologia era mais diversificada, existindo diferentes tipos, os quais, segundo alguns autores, variavam consoante as localidades.
Na Ponta do Sol, existia um barrete achatado no alto da cabeça, feito de lã grosseira e felpuda, borla ao centro e três orelhas curtas e erectas, uma atrás e uma de cada lado.
Em Santana, este tomou a forma e o nome de ninho de pássaro, tão pequeno que ficava no alto da cabeça. Quando colocavam-no, apertavam-no na mão, contra a cabeça, ao mesmo tempo que o rodavam em meia volta para o prender no cabelo.
No Caniçal e em Machico, eram confeccionados com lã colorida, prolongando-se em longo apêndice de forma quase afunilado, e terminando em borla esfiapada de diversas cores. Eram muito usados pelos pescadores.
Nas outras povoações da ilha, era o típico barrete aguçado, hoje o mais comercializado, com duas orelhas, que no Inverno eram descidas e prendiam-se pelas pontas debaixo do queixo e no verão levantavam-se, ajustadas à carapuça, de cuja extremidade sobressai uma borla farta de lã.
Incorporação: Esta peça, foi adquirida pela DRAC (Direcção Regional dos Assuntos Culturais) a Zina do Grupo Folclórico da Boa Nova - Funchal. Encontrava-se na DRAC, sendo transferida e incorporada no espólio do Museu Etnográfico da Madeira, aquando da sua abertura em 1996.
Bibliografia
DO PORTO DA CRUZ, Visconde, "Folclore Madeirense", Câmara Municipal do Funchal, Funchal, 1955.
NÓBREGA, Maria Augusta Correia - Tradições Madeireses - O Traje Regional, Vol I. Funchal: Edição da Autora, 1999
PEREIRA, Eduardo C.N.; "Ilhas de Zarco", Vol. II, 4ª Edição, Câmara Municipal do Funchal, Funchal, 1989.
Exposições
Exposição "Vamos à Ribeira Brava"
Sala de exposições temporárias do Museu Etnográfico da Madeira
Exposição Física
Baú de leitura
Salão Paroquial da Ribeira Brava
10/3/2003 a 16/3/2003
Exposição Física
EXPOSIÇÃO “OBRAS DE REFERÊNCIA DOS MUSEUS DA MADEIRA”