Descrição: Relógio de bolso dito por savonette, em ouro, com mecanismo plano e espessura reduzida. Mostrador de fundo branco e numeração árabe a negro, ponteiro das horas dourado em forma lacrimal e mostrador dos segundos, descentrado. Tampa amovível com monograma coroado (Imperador Carlos de Aústria), desenhado e cravejado com diamantes.
Origem/Historial: França. Casa Breguet. O relógio de bolso, pertenceu a Carlos D'Áustria, conforme monograma coroado, desenhado e cravejado de diamantes, na caixa em ouro.
Foi executado numa das mais famosas casas relojoeiras da Europa, a casa Breguet. Fundada em Paris, em 1775 por Abraham-Louis Breguet (1747 -1823), esta firma teve, ao longo dos séculos, destacados clientes como Maria Antonieta e o seu marido Luís XVI, Napoleão Bonaparte, o Czar Alexandre I da Rússia, Jorge III de Inglaterra, a rainha Vitória, George Washington, entre muitos outros.
A 19 de Novembro de 1921, Carlos D'Áustria e a Imperatriz Zita desembarcam no Funchal, acompanhados pelos condes de Hunyady. Inicialmente vivem na Vila Vitória, dependência do Reid Palace Hotel, mas com a chegada dos filhos em Fevereiro de 1922, a família muda-se para a que seria a sua residência mais conhecida - a "Quinta do Monte" (Quinta Rocha Machado), cedida gentilmente por Luís da Rocha Machado (1890-1973).
Carlos D'Áustria, último soberano do Império Austro-Húngaro e último monarca da dinastia Habsburgo, morre a 1 de Abril de 1922 de bronco-pneumonia, na Quinta do Monte.
O relógio foi oferecido pela família imperial ao Dr. Nuno Alberto Queriol de Vasconcellos Porto, um dos médicos assistentes de Carlos D'Áustria, em reconhecimento pelos serviços clínicos prestados.
Herdado pela sua filha primogénita, Maria de Lourdes Machado Lemos de Vasconcellos Porto, após a sua morte, foi doado à Região Autónoma da Madeira a 6 de Março de 2009, pelo seu marido Dr. Diogo Castelbranco de Paiva Brandão, em concordância com toda a sua família "já que não podíamos ver na oferta original apenas um gesto de gratidão (...) mas também uma homenagem à terra privilegiada que tão carinhosamente o acolhera na hora amarga do exílio" (carta de doação).
Incorporação: Doação Dr. Diogo Castelbranco de Paiva Brandão e Família / 2009