Ficha de Inventário

Tear

  • Museu: Museu Etnográfico da Madeira
  • Nº de Inventário: MEM16/5007
  • Supercategoria: Etnologia
  • Categoria: Tecnologia têxtil
  • Datação: Século 20
  • Dimensões (cm): Comp. 190 x Alt. 160 x Larg. 135
  • Descrição: Tear de pedal horizontal, dotado de uma estrutura de madeira de forma quadrangular, com dispositivos que permitem o fabrico de peças de pano compridas. Possui três pernas ( 2 à frente e uma atrás), constituídas por grossos barrotes. Os topos superiores das pernas espigam nas mesas, não as ultrapassando e ligando-se entre si por uma série de travessas, sob as mesas (2 à frente, 2 atrás e 2 laterais). O órgão da urdideira está montado em alças fortes de madeira, nas mesas, e é dotado de um sistema de fixação, constituído por quatro paus em cruz, fixadas no órgão e que vão apoiar-se num torno amovível que joga numa travessa com diversos furos, dispostos na vertical e fixo à mesa. O órgão do pano situa-se em baixo, sob as mesas, apoiado nas travessas laterais, munido de uma roda, situada num dos lados, com esfera para fixação. O órgão do jeito que é fixo, situa-se à frente, a cerca de 1/2 m da extremidade das meias. As travessas de onde se suspende os dispositivos da frente e liços apoiam-se em duas peças em forma de T, implantadas a meio da mesa. O equipamento do tear completa-se com a lançadeira e o peso. A lançadeira tem a forma fusiforme com cavidade de contorno elíptico na face superior, onde se coloca o canelo com o fio enrolado. O peso é, neste caso, um ferro de engomar e destina-se a servir de contrapeso às canas que fixam a cruz do tear, impedindo-as de descair para junto dos liços.
  • Origem/Historial: Até meados deste século, grande parte do vestuário e roupas de uso doméstico, eram tecidas no tear. As toalhas de mãos, a toalha da cesta do almoço, a toalha de mesa, os lençóis, eram tudo em linho ou estopa, tecido no tear. Também no tear eram confeccionadas as calças, jalecos e saias de lã de ovelha, as camisas e as blusas de linho. As jovens deveriam possuir no eu seu dote, pelo menos trinta metros de linho. Ainda hoje é comum confeccionarem-se mantas e tapetes de retalhos, nos poucos teares ainda em funcionamento. O tear é um aparelho complexo em que se realiza o cruzamento dos fios que entram na confecção do tecido. Os fios são de duas espécies: fios da urdidura, que se preparam previamente num aparelho específica – a urdideira – e se dispõem a todo o seu comprimento no tear, longitudinalmente, separados em duas séries – pares e ímpares alternados – por dispositivos especiais; e o fio da trama, único que vai passando entre os fios daquelas duas séries da urdidura no sentido perpendicular a eles, e ora da direita para a esquerda para a direita. Pelo abaixamento e levantamento alternado de cada uma das séries de fios da urdidura obtém-se uma abertura a toda a largura da urdidura, perpendicular a ela o passo ou cala -, e, de cada vez, passa por essa cala a lançadeira com o fio da trama, que com o movimento alternado das séries dos fios da urdidura, fica preso, por entrecruzamento, naqueles fios. O tear permite assim que, com um único gesto, se faça o fio da trama cruzar todos os fios da urdidura. (OLIVEIRA, GALHANO, PEREIRA, 1991:118) A lançadeira é uma peça de madeira, fusiforme, com uma cavidade de contorno elíptico na face superior, onde se coloca a canela com o fio enrolado, que roda sobre um eixo feito de uma varinha delgada quando a lançadeira é projectada através da cala da urdidura, ora num sentido ora no outro, deixando a cada passagem o fio da trama e essencial à formação do tecido. O peso é um objecto, que serve de contrapeso às canas que fixam a cruz do tear, impedindo-as de descair para junto dos liços. Os teares tradicionais utilizados na Madeira são do tipo do tear de pedal horizontal, possuindo dois ou quatro liços. A tecelagem implica várias operações: há que preparar a urdidura, montá-la no tear, preparar a trama e fazer o tecido. A urdidura é preparada na chamada urdideira, armação de prumos onde estão fixos alguns tornos nos quais passam os fios, prefigurando a sua configuração no tear, separados nas duas séries. Antes de se iniciar a operação de urdir os novelos são colocados dentro do noveleiro, constituído por uma caixa dividida em compartimentos, um para cada novelo. O restilho ou restelo é uma peça fundamental para a montagem da urdidura no tear. A sua função consiste em distribuir a urdidura de acordo com a largura que se pretende dar ao tecido. É um pente formado de duas réguas, uma com dentes cravados a todo o seu comprimento e outra amovível. Para preparar a trama, a tecedeira utiliza o caneleiro, que enrola o fio em pequenos sectores de cana – as canelas. Este é constituído por um eixo de ferro, munido de um volante que gira em duas peças fixadas verticalmente numa base de madeira. Termina num espigão aguçado, onde entra a canela. Há ainda que referir, um outro instrumento, utilizado na fase do fabrico do tecido: o tempereiro. É formado por duas varetas, ligadas entre si numa das extremidades por anéis, que permitem regular o seu comprimento consoante a largura da teia. Na outra extremidade as varetas são espalmadas e munidas de pequenos dentes aguçados. O tempereiro serve para esticar o tecido no sentido da largura. (OLIVEIRA, GALHANO, PEREIRA, 1991:135-14).
  • Incorporação: Peça doada ao Museu pela sua proprietária Conceição Pereira, funcionária do Museu Etnográfico da Madeira e que trabalhou ao vivo, neste tear, desde a sua abertura, em Junho 1996.

Bibliografia

  • OLIVEIRA, Ernesto Veiga de; GALHANO, Fernando; PEREIRA, Benjamim, "O Linho - Tecnologia Tradicional Portuguesa", C.E.E. - I.N.I.C., Lisboa, 1991.

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