Ficha de Inventário

Trilho

  • Museu: Museu Etnográfico da Madeira
  • Nº de Inventário: MEM96/582
  • Supercategoria: Etnologia
  • Categoria: Alfaias Agrícolas
  • Datação: Século 20
  • Dimensões (cm): Comp. 125 x Alt. 10 x Larg. 34
  • Descrição: Peça formada por um pranchão espesso de madeira, de lados convergentes no topo frontal, adquirindo o aspeto de uma proa, que será a parte dianteira onde se atrela o "temão". Este é construído numa peça única de madeira. Na parte superior, à frente, é escavada uma trave curta e grossa, na qual se abre um furo transversal, que servirá para amarrar o "temão", com uma correia de couro ensebada. No lado traseiro é escavada uma trave de controno quadrangular, que serve de apoio ao homem sentado, ou para segurar uma pedra a servir de apoio. O lado inferiror está cravejado de pequenas pedras de basalto, dispostas em linhas oblíquas.
  • Origem/Historial: A debulha é o processo de extracção do grão, que consiste em separar as espigas e desalojar o grão das mesmas. A palha é também sujeita a um tratamento específico. No nosso arquipélago utilizam-se diferentes técnicas e, consequentemente, diferentes utensílios, para debulhar o grão. A utilização de diferentes instrumentos nesta fase de tratamento dos cereais, prende-se por um lado com a quantidade de grão a extrair e, por outro lado, com as condições ambientais. O Trilho O trilho é outro dos instrumentos de debulha utilizados na eira. É formado por um pranchão espesso de madeira, de lados convergentes no topo frontal, adquirindo o aspecto de uma proa, que será a parte dianteira onde se atrela o temão. A parte superior, à frente, leva uma trave curta e grossa, com um orifício largo que servirá para amarrar o temão com uma correia de couro ensebado. O lado traseiro também leva pregada uma outra trave em toda a largura, que será o apoio para o homem sentado ou para ali segurar a pedra a servir de peso. Mas é o lado de baixo o mais importante, pois constitui a verdadeira função do trilho na eira. Esta face inferior é cravejada de pequenas pedras de basalto, dispostas em linhas oblíquas. A debulha com o trilho é morosa. Resumidamente, processa-se da seguinte forma: (…) o gado é trazido para dentro da eira, dando algumas voltas para calcar o grão. Depois canga-se-lhe o trilho. (…) A atrelagem do instrumento de debulha aos animais é feita por meio de uma canga especial, diferente da do arado ou da dos carros de bois; ela é mais pequena, os bois ficam mais próximos entre si, de forma a poderem ser melhor conduzidos na estreiteza relativa do local, mas também porque se movimentam em círculos regulares e, por último, pela necessidade de inverterem o sentido da sua marcha.
  • Incorporação: Pressupõe-se que tenha sido coletada por Jorge Freitas Branco (Gabinete de Defesa e Dinamização do Património - Secretaria Regional de Educação e Cultura, pois existe uma informação (interno) no qual é mencionada a entrada de um trilho, oferta de José António Correia, embora não exista uma descrição do objecto. Foi lhe atribuído, nesse interno o nº inventário 3005. Encontrava-se em depósito na DRAC e foi incorporada no museu.

Bibliografia

  • OLIVEIRA, Ernesto Veiga de; GALHANO, Fernando; PEREIRA, Benjamim, "Alfaia Agrícola Portuguesa", Instituto de Alta Cultura, Centro de Estudos de Etnologia, Lisboa, 1976.
  • FERREIRA, Lídia, Catálogo da exposição "Um grão levado pela corrente", Museu Etnográfico da madeira, Ribeira Brava, 1996, texto policopiado.
  • BRANCO, Jorge Freitas, Camponeses da Madeira – As bases materiais do quotidiano no Arquipélago (1750-1900), Col. Portugal de Perto, Nº 13, Publicações Dom Quixote, 1987, pág. 59. Ob. Cit., págs. 53-54.

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