Descrição: Peça formada por um pranchão espesso de madeira, de lados convergentes no topo frontal, adquirindo o aspeto de uma proa, que será a parte dianteira onde se atrela o "temão". Este é construído numa peça única de madeira. Na parte superior, à frente, é escavada uma trave curta e grossa, na qual se abre um furo transversal, que servirá para amarrar o "temão", com uma correia de couro ensebada. No lado traseiro é escavada uma trave de controno quadrangular, que serve de apoio ao homem sentado, ou para segurar uma pedra a servir de apoio. O lado inferiror está cravejado de pequenas pedras de basalto, dispostas em linhas oblíquas.
Origem/Historial: A debulha é o processo de extracção do grão, que consiste em separar as espigas e desalojar o grão das mesmas. A palha é também sujeita a um tratamento específico.
No nosso arquipélago utilizam-se diferentes técnicas e, consequentemente, diferentes utensílios, para debulhar o grão. A utilização de diferentes instrumentos nesta fase de tratamento dos cereais, prende-se por um lado com a quantidade de grão a extrair e, por outro lado, com as condições ambientais.
O Trilho
O trilho é outro dos instrumentos de debulha utilizados na eira. É formado por um pranchão espesso de madeira, de lados convergentes no topo frontal, adquirindo o aspecto de uma proa, que será a parte dianteira onde se atrela o temão. A parte superior, à frente, leva uma trave curta e grossa, com um orifício largo que servirá para amarrar o temão com uma correia de couro ensebado. O lado traseiro também leva pregada uma outra trave em toda a largura, que será o apoio para o homem sentado ou para ali segurar a pedra a servir de peso. Mas é o lado de baixo o mais importante, pois constitui a verdadeira função do trilho na eira. Esta face inferior é cravejada de pequenas pedras de basalto, dispostas em linhas oblíquas.
A debulha com o trilho é morosa. Resumidamente, processa-se da seguinte forma: (…) o gado é trazido para dentro da eira, dando algumas voltas para calcar o grão. Depois canga-se-lhe o trilho. (…) A atrelagem do instrumento de debulha aos animais é feita por meio de uma canga especial, diferente da do arado ou da dos carros de bois; ela é mais pequena, os bois ficam mais próximos entre si, de forma a poderem ser melhor conduzidos na estreiteza relativa do local, mas também porque se movimentam em círculos regulares e, por último, pela necessidade de inverterem o sentido da sua marcha.
Incorporação: Pressupõe-se que tenha sido coletada por Jorge Freitas Branco (Gabinete de Defesa e Dinamização do Património - Secretaria Regional de Educação e Cultura, pois existe uma informação (interno) no qual é mencionada a entrada de um trilho, oferta de José António Correia, embora não exista uma descrição do objecto. Foi lhe atribuído, nesse interno o nº inventário 3005. Encontrava-se em depósito na DRAC e foi incorporada no museu.
Bibliografia
OLIVEIRA, Ernesto Veiga de; GALHANO, Fernando; PEREIRA, Benjamim, "Alfaia Agrícola Portuguesa", Instituto de Alta Cultura, Centro de Estudos de Etnologia, Lisboa, 1976.
FERREIRA, Lídia, Catálogo da exposição "Um grão levado pela corrente", Museu Etnográfico da madeira, Ribeira Brava, 1996, texto policopiado.
BRANCO, Jorge Freitas, Camponeses da Madeira – As bases materiais do quotidiano no Arquipélago (1750-1900), Col. Portugal de Perto, Nº 13, Publicações Dom Quixote, 1987, pág. 59.
Ob. Cit., págs. 53-54.