Descrição: Par de fôrmas em madeira (pé esquerdo e pé direito) com a anatomia do pé. Orifício transversal na zona do tornozelo para a remoção no final, com a ajuda do gancho das formas. Tem duas tiras de couro pregadas, uma de cada lado junto à base.
Origem/Historial: De um modo geral, os sapateiros de “calçado preto” (sapatos, sandálias, botas pretas e de atanado) trabalham em oficinas, denominadas tendas ou num vão de escada, onde vendem os seus produtos, empregando um ou mais ajudantes. Com excepção daqueles que trabalham por conta de outrem, estes artesãos não têm um horário fixo.
Normalmente neste ofício eram admitidos, desde tenra idade, aprendizes. A sua ascensão até mestre requeria a superação de provas, nas quais o aspirante tinha de demonstrar a sua habilidade.
Os sapateiros têm na sua oficina uma variada gama de utensílios, embora actualmente a maior parte já não sejam utilizados, pois raramente elaboram sapatos. Hoje esta actividade consiste basicamente no conserto de calçado, fabricado industrialmente, sendo os trabalhos mais frequentes a colocação de solas, meias solas, saltos e capas. A sola é cosida à mão e não colada e por isso o conserto é mais caro.
De entre as ferramentas destacam-se os alicates, as facas, os pregos, os martelos, as turqueses, ferro de virar, as grosas, as sovelas, o ferro de brunir, as formas de madeira e de ferro. Actualmente todos possuem máquinas para os auxiliarem, nomeadamente a máquina de coser, a máquina de pontear e a lixadeira.
Incorporação: Esta peça, foi adquirida pelo Museu no antiquário "Velharias Campanário", situado na freguesia do Campanário, Município da Ribeira Brava.
Bibliografia
FERREIRA, César; Catálogo "O sapateiro", Projeto Acesso às Coleções em Reserva, Museu Etnográfico da Madeira, Ribeira Brava, Julho 2006.
LANGHANS, F. P. de Almeida, Ofícios Antigos Subsistentes nas Ilhas dos Açores, Secretaria Regional de Educação e Cultura, Direcção Regional dos Assuntos Culturais, Angra do Heroísmo, 1988.