Descrição: Miniatura de um tradicional "carro de bois". Os bois estão atrelados com uma canga e puxam o carro, de formato quadrangular. Este possui bancos, um toldo, e cortinas.
Origem/Historial: Até o século 20, altura que a Madeira passou a dispor de uma rede de estradas que veio permitir as comunicações entre a cidade do Funchal e as zonas rurais, os veículos de arrasto, como as corsas, o carro de cesto e os carros de bois, tiveram um papel fundamental.
No que concerne aos carros de bois, podemos dizer que o uso deste não era muito habitual entre o povo madeirense, uma vez que, só as famílias mais abastadas teriam condições para, fazer a manutenção regular deste tipo de carros, e, possivelmente, ter uma junta de bois ou de cavalos, para fazer transportar, tanto os seus donos como, passageiros, ou seus convidados, altas individualidades madeirenses ou estrangeiras.
"O carro de bois, nascido da possível inspiração do modelo do Nordeste português, e também da influência da corsa madeirense adaptada ao transporte de pessoas, foi no primeiro quartel do século XX o meio de transporte colectivo mais usado no Funchal e nas Fajãs, uma vez que, nas encostas escarpadas, o seu uso tornava se impróprio.
Assemelha se a um tipo de semicaleche, sem rodas, arrastado por bois. Consiste numa caixa de madeira, ou parte entrançada de vimes, feita de castanho, til ou vinhático, apoiando se em pilhas de meias molas de dinamómetro sobre a soleira coberta por uma fita metálica.
Com lotação para quatro pessoas, era conduzido por dois homens, trajados de branco e orientados pelo «candeeiro» que se encarregava da soga.
As conclusões em relação ao carro de bois madeirense são inseguras e pouco esclarecedoras. Jorge Dias, ao tentar encontrar a sua origem entre os carros do Continente português, conclui que, embora elementos regionais pesassem na sua constituição, a existência de características semelhantes ao carro de bois do Nordeste português era notória: «De particular o carro madeirense tem forte arqueamento das chedas, que dão à parte dianteira do leito uma curvatura semi circular, e é também de notar que as travessas espigam nas chedas sem as travessarem de lado a lado». (Sumares, Simões, Silva, 1983:35).
Incorporação: Peça adquirida pelo Museu no antiquário "Arca das Maravilhas".