Descrição: Figura feminina, trajando um vestido comprido e um avental (roto). Tem na mão uma pá, com um pão, para colocar no forno. O forno, em pedra, tem pão no interior e lenha na parte de baixo. No chão existe um cesto com pães, tapado com uma toalha.
Origem/Historial: A modelação do barro nas olarias madeirenses restringiu-se, essencialmente, aos utensílios de utilidade doméstica. No entanto, houve também o ofício de imaginário, concedido ao artista executor de imagens. O fabrico de pequenas figuras de barro constituiu uma atividade onde se revelaram alguns artistas, muitas vezes desconhecidos, que produziam peças para ornamentação dos tradicionais presépios madeirenses, as “lapinhas”, modelando interessantes exemplares que compunham o relato místico e profano dos presépios em forma de rochinha, que representavam a orografia da ilha da Madeira. Estas figuras, designadas genericamente de pastorinhos traduziam as cenas da vida de Cristo e representavam figuras religiosas e cenas do quotidiano, com alusão às profissões tradicionais. Eram executadas nas Olarias, utilizando-se a técnica de moldagem (utilização de moldes) e cozidos nas muflas, mas existiam também artesãos que as executavam na sua unidade doméstica, utilizando a técnica de modelagem à mão nua e coziam-nos, naturalmente, ao sol. A manufatura caseira de olaria era uma atividade com longa tradição no Porto Santo. Já no século XVI fabricava-se telhas e louças nesta ilha. Entre os oleiros porto-santenses existe também, há longos anos, a tradição da figuração em barro, nomeadamente os pastores, figuras de presépio em barro natural ou policromado. Aproveitando os recursos disponíveis na ilha, os artesãos produziam, as mais variadas figuras para recheio das “lapinhas” e figuras representando profissões tradicionais. Com o tempo, esta tradição foi desaparecendo. Contudo, ainda existiam barristas que, no século XX, perpetuavam esta arte. Era o caso de José de Jesus Vasconcelos, o qual, seguindo a arte do seu avô, Manuel António Telo, executava figuras em barro natural ou policromado, na sua oficina, onde possuía uma roda de oleiro e uma mufla cedidas, temporariamente, pela Casa do Povo do Porto Santo. Autodidata, foi aperfeiçoando-se ao longo do tempo, produzindo inúmeras peças de artesanato moderno, nomeadamente presépios, santos e figuras populares.
Incorporação: Peça adquirida pelo Museu ao seu autor José de Jesus Vasconcelos.
Bibliografia
FERREIRA, Lídia; "A Tradição do Barro: barristas portossantenses", Catálogo da Exposição temporária, Museu Etnográfico da Madeira, Ribeira Brava, 2007.