Técnica: Tratamento da argila e modelagem da peça à mão nua. Cozimento no forno.
Dimensões (cm): Comp. 20,5 x Alt. 25,5 x Larg. 21
Descrição: Imagem de uma figura masculina, sobre uma base em forma de rochedo Possui uma cana numa mão e um peixe na outra. Veste calças castanhas, camisa vermelha, e barrete de orelhas ou barrete de vilão. Sobre o rochedo está um saco com peixes, uma garrafa verde e um peixe vermelho.
Origem/Historial: A modelação do barro nas olarias madeirenses restringiu-se, essencialmente, aos utensílios de utilidade doméstica. No entanto, houve também o ofício de imaginário, concedido ao artista executor de imagens. O fabrico de pequenas figuras de barro constituiu uma atividade onde se revelaram alguns artistas, muitas vezes desconhecidos, que produziam peças para ornamentação dos tradicionais presépios madeirenses, as lapinhas, modelando interessantes exemplares que compunham o relato místico e profano dos presépios em forma de rochinha, que representavam a orografia da ilha da Madeira.
Estas figuras, designadas genericamente de pastorinhos traduziam as cenas da vida de Cristo e representavam figuras religiosas e cenas do quotidiano, com alusão às profissões tradicionais.
Eram executadas nas Olarias, utilizando-se a técnica de moldagem (utilização de moldes) e cozidos nas muflas, mas existiam também artesãos que as executavam na sua unidade doméstica, utilizando a técnica de modelagem à mão nua e coziam-nos, naturalmente, ao sol.
A manufactura caseira de olaria era uma actividade com longa tradição no Porto Santo. Já no século XVI fabricava-se telhas e louças nesta ilha. Entre os oleiros portosantenses existe também, há longos anos, a tradição da figuração em barro, nomeadamente os pastores, figuras de presépio em barro natural ou policromado. Aproveitando os recursos disponíveis na ilha, os artesãos produziam, as mais variadas figuras para recheio das lapinhas e figuras representando profissões tradicionais.
Com o tempo, esta tradição foi desaparecendo. Contudo, ainda existiam barristas que, no século XX, perpetuavam esta arte. Era o caso de José de Jesus Vasconcelos, o qual, seguindo a arte do seu avô, Manuel António Telo, executava figuras em barro natural ou policromado, na sua oficina, onde possuia uma roda de oleiro e uma mufla cedidas, temporariamente, pela Casa do Povo do Porto Santo. Autodidacta, foi aperfeiçoando-se ao longo do tempo, produzindo inúmeras peças de artesanato moderno, nomedamente presépios, santos e figuras populares.
A manufatura caseira de olaria era uma atividade com longa tradição no Porto Santo. Já no século XVI fabricava-se telhas e louças nesta ilha. Entre os oleiros porto-santenses existiu, durante longos anos, a tradição da figuração em barro, nomeadamente os “pastores”, figuras de presépio em barro natural ou policromado. Aproveitando os recursos disponíveis na ilha, os artesãos produziam, as mais variadas figuras para recheio das “lapinhas” e figuras representando profissões tradicionais. Com o tempo, esta tradição foi desaparecendo. Contudo, ainda existiam barristas que, no século XX, perpetuavam esta arte. Era o caso de José do Espírito Santo e Vasconcelos.
Incorporação: Peça adquirida pelo Museu ao seu autor José de Jesus Vasconcelos.
Bibliografia
LEROI-GOURHAN, André, Evolução e Técnicas, I-O Homem e a matéria, Col. Perspectivas do Homem, Ed. 70, Lisboa, s. d..
FERREIRA, Lídia; catálogo da exposição temporária "A tradição do barro. Barristas do Porto Santo", Museu Etnográfico da Madeira, Ribeira Brava, Abril 2007.