Ficha de Inventário

Pipa

  • Museu: Museu Etnográfico da Madeira
  • Nº de Inventário: MEM96/171
  • Supercategoria: Etnologia
  • Categoria: Atividades transformadoras
  • Datação: Século 20
  • Dimensões (cm): Comp. 120.7 x Diâm. 53.5
  • Descrição: Recipiente constituído por "aduelas" de madeira, que encaixam umas nas outras, apertadas com 10 aros de ferro. De forma cilíndrica, de maior diâmetro no meio, onde tem um oríficio circular na parte superior, por onde se deita e retira o vinho, tapado com uma rolha de cortiça vedada com pedaço de serapilheira. Os fundos são constituídos por ripas de madeira, colocadas na vertical. Num dos fundos está marcado a giz o número de medidas de vinho que são deitadas na pipa e possui a inscrição "Olim". Possui, ainda, dois orifícios redondos, que servem para retirar a borra e para a lavagem da pipa, tapados com palha de bananeira, e tampões de madeira. Numa das aduelas tem a inscrição, a giz, "1902".
  • Origem/Historial: Até meados do século XIX, o sistema de transporte do vinho para os principais mercados era nestes recipientes de madeira, feitos de diversos tamanhos: pipas, quartolas, barris e barrilinhos. Embora esteja documentado o uso de garrafas nas exportações foi muito tardia a sua afirmação. Muitas das pipas retornavam à origem em peças de aduelas, poupando-se espaço nos navios. O vasilhame de madeira usado no transporte, vinificação e envelhecimento do vinho, era quase todo fabricado na ilha. Para isso usava-se habitualmente as seguintes vasilhas: Tonel, 750 a 2500 litros, Ponche, 630 litros, pipa 550 litros, meia pipa 210 litros, quartola 105litros e barril de mosto. A partir do registo de exportação de vinho é possível fazer uma ideia do vasilhame necessário para o processo de vinificação e transporte do vinho aos principais mercados. A maior incidência, no século XVIII, estava nas pipas, mas na centúria seguinte as vasilhas de capacidade inferior ganharam importância. As madeiras usadas na construção do vasilhame tinham várias províncias. A ilha fornecia alguma de vinhático, aderno, castanho e carvalho, mas a maior parte era de importação. Das florestas do Báltico, até à Revolução Russa, vinham as aduelas preparadas de carvalho negro, o mesmo sucedendo com as de carvalho e faia de Nova Orleães e Charleston."
  • Incorporação: Esta peça, encontrava-se na DRAC (Direcção Regional dos Assuntos Culturais), sendo transferida e incorporada no espólio do Museu Etnográfico da Madeira, aquando da sua abertura em 1996

Bibliografia

  • FERREIRA, César, catálogo da Exposição Permanente "Vitivinicultura", Museu Etnográfico da Madeira, Ribeira Brava.
  • VIEIRA, Alberto, A vinha e o Vinho na História da Madeira Séculos XV e XX, Região Autónoma da Madeira, 2003.

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