Descrição: Vaso de barro, com fundo semi-oval, perfurado com pequenos orifícios, corpo tronco-cónico invertido e bordo arredondado. Possui junto ao bordo duas asas horizontais, de secção retangular, simetricamente opostas.
Origem/Historial: O cuscuz chegou à Península Ibérica através dos muçulmanos, que o trouxeram do Magrebe e foi introduzido na Madeira pelos primeiros colonos ou pelos escravos.
As mulheres desfazem o fermento num alguidar, misturando-o com água quente, temperada com sal. Deitam a farinha de trigo e folhas de segurelha na masseira ou amassadeira, colocam o fermento desfeito no centro da farinha e vão mexendo, envolvendo-o bem na farinha.
Em seguida, duas mulheres, uma em frente à outra, alternadamente e com movimentos ritmados e constantes, vão amassando e levantando a farinha com ambas as mãos, sem a calcar. Para granular a farinha, mergulham um ramo de segurelha numa banheira contendo água morna com a qual a salpicam. Usam pouca água, de modo a humedecer apenas a farinha, para que não se torne “papenta”.
A mistura é amassada até ficar seca, granulada e deixar de colar nas mãos. Há quem passe, o cuscuz numa joeira de modo a que o granulado fique uniforme.
Após esta operação os cuscuz são espalhados sobre um pano limpo e ficam a levedar e as mulheres preparam o lume, a panela e o cuscuzeiro de barro ou de metal , para os submeter este granulado a uma cozedura a vapor.
Enchem a panela de água até um terço da sua altura, de modo a que ao ferver não chegue ao cuscuzeiro e colocam pequenos fragmentos de loiça partida ou cascas de caramujos no fundo, cujo tilintar indicará que a água está em ebulição. Para evitar a perda de calor, quando o cuscuz vai a cozer, colocam uma papa com rolão ou farelo amassado ou ainda com batata-doce cozida, na junção entre a panela e o cuscuzeiro.
No fundo do cuscuzeiro, por baixo da toalha na qual vai ser cozido o cuscuz, colocam-se dois paus em forma de cruz, “gavinhas” (caule) do feijoeiro ou ainda qualquer palha seca, sem cheiro, para fazer circular o vapor de água e um pano dobrado.
Enchem o cuscuzeiro até um pouco acima da base e com uma colher de pau fazem orifícios no cuscuz, para colocar alguns ramos de segurelha. Cobrem-no com as pontas da toalha e por cima colocam um cobertor. Este recipiente é ainda tapado com um alguidar de barro ou um tampo de madeira.
A panela é colocada ao lume, de preferência a lenha, e depois de começar a ferver (quando ouvem o “talingar” dos cacos ou cascas) deixam-no a cozer em lume brando, durante cerca de hora e meia. Passado esse período destapam a panela, espetam uma faca no cuscuz para verificar a cozedura (se esta sair limpa é porque está cozido) e, então, retiram a toalha que contêm o cuscuz.
O consumo deste alimento pode ser feito nesta fase, ainda quente, com manteiga ou mel ou polvilhado com açúcar ou canela.
Quando pretendem a sua conservação, para ser consumido mais tarde, voltam a colocar os cuscuz na masseira, esfarelam-nos à mão para separarem todos os grãos e colocam-nos sobre um lençol, a secar ao sol, pelo menos dois a três dias, não podendo apanhar chuva. No Inverno ficam a secar no interior da casa. Por fim, são guardados em sacos de algodão, "estopa" (linho) ou plástico.
Incorporação: Peça adquirida no antiquário "Aires e Filhos"
Bibliografia
FERREIRA, César, catálogo "gastronomia tradicional - o cuscuz", projeto Acesso às Coleções em Reserva, Museu Etnográfico da Madeira, fevereiro2015