Contexto Territorial: Curral das Freiras, Câmara de Lobos
Caracterização: A festa de Nossa Senhora do Livramento, padroeira do Curral das Freiras, tem a sua festa celebrada no último fim-de-semana de Agosto. Inicia-se no sábado, com uma girândola de fogo. Junto à igreja está instalado o bazar e na rua principal estão as barracas de comes e bebes e de bugigangas. O átrio da igreja está decorado com louro, murta, ramos de pinheiro e flores de papel, de cor branca e azul.
De tarde o padre e a banda dirigem-se aos sítios para recolherem as oferendas. À chegada, a banda toca o seu hino e outras músicas. Em seguida os romeiros cantam algumas rimas populares referentes às oferendas. De vez em quando, lançam-se foguetes. Depois o padre, a banda e os romeiros com as oferendas, dirigem-se para os outros sítios e repetem-se os mesmos rituais. Ao fim de um certo tempo são dezenas e dezenas de pessoas, que desfilam em procissão, cantando ao som da banda.
No Domingo celebra-se a missa, seguida da procissão. Durante a procissão são muitos os devotos que percorrem o percurso descalços e com um círio, em cumprimento de promessas. A Nossa Senhora do Livramento, com o Menino ao colo, é transportada num andor decorado com flores. É decorada com colares e coroas de ouro, oferecidos à igreja como agradecimento de graças recebidas.
Origem/Historial: Nas sociedades agrárias sempre existiram cultos e praticaram-se ritos, associados às forças mágicas, que o Homem julgava controlarem a natureza e a existência humana. Estes rituais de purificação e de apelo à fertilidade estavam intimamente ligados às diferentes estações do ano, nomeadamente as cerimónias de expulsão do Inverno, as de celebração da chegada da Primavera ou as de comemoração do final do ciclo agrícola.
Os meses de Verão – Junho a Setembro – época das colheitas, eram meses festivos por excelência. Tratava-se da “recompensa” final pelo árduo trabalho tido ao longo do ciclo agrícola anual sendo, portanto, uma época de plenitude, de alegria, de festa.
Muitos destes rituais profanos foram absorvidos pelo Cristianismo, que os transformou em solenidades religiosas, embora sagrado e profano continuem a “conviver” no mesmo espaço, misturados numa amálgama de crenças e rituais.
As romarias são celebrações religiosas de invocação divina ou em honra de um santo, patrono de uma localidade ou de um santuário. Distinguem-se das outras festas religiosas pelo caráter de “peregrinação”, do percurso efetuado pelo povo até o local do santuário, antigamente a pé, por caminhos íngremes e atalhos.
No arquipélago da Madeira, tal como no resto do país, em todas as paróquias celebram-se estas festas religiosas, as quais são consagradas a Deus, ao Espírito Santo, a Nossa Senhora e aos santos e santas, representados por uma relíquia – fragmento ou objeto – ou por uma imagem.
Estas festas têm usualmente a sua origem na crença do povo em lendas populares ou foram introduzidas pelos primeiros colonizadores, que trouxeram consigo os seus santos detentores de poderes milagrosos, tornando-os protetores de determinadas localidades.
A sua História, no entanto, reporta-se a tempos muito remotos, a cultos ancestrais e a crenças anteriores ao cristianismo, que se mantiveram apesar das normas oficiais religiosas as terem adaptado e transformado. A construção dos primeiros templos religiosos teve lugar, muitas vezes, na proximidade de antigos santuários pagãos e algumas lendas estão associadas implícita ou explicitamente a antigas divindades.
Parece existir efeivamente uma continuidade entre o dinamismo popular que se exprime nas romarias e as formas religiosas que precederam o cristianismo. A localização dos santuários junto dos antigos lugares de culto, as lendas dos santos – e o seu culto – associadas aos elementos naturais (rochedos, mar, fontes, árvores), a permanência de certos itinerários ou gestos rituais, a intensidade do sentimento da natureza que leva o romeiro a ver a sede do sagrado mais na globalidade de um sítio, cuja harmonia aprecia e celebra, do que nos limites estreitos do santuário, a tendência, historicamente atestada pela igreja, para celebrar “junto das árvores” e “no campo”, são elementos que nos obrigam a ler o comportamento dos romeiros em referência a gestos e sem dúvida a complexos rituais abolidos (SANCHIS, Arraial, 325).
As romarias realizam-se usualmente aos fins-de-semana e constituem um período de descanso, uma pausa no trabalho quotidiano.
A origem do nome de Nossa Senhora do Livramento está ligada ao facto de possuir a graça de livrar o povo de todos os males e perigos.
A capela dedicada a Nossa Senhora do Livramento foi construída no reinado de D. Maria I, para que esta os livrasse dos perigos.
Bibliografia
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