Caracterização: A plantação do vimieiro, é efetuada com pequenos segmentos de vimes, retirados das suas hastes. Ocorre nos meses de fevereiro e março, aquando da sua “poda”, sendo efetuada, preferencialmente, em terrenos húmidos ou junto a cursos de água, levadas e ribeiros, condições essenciais para que a planta se consiga desenvolver.
Após a sua plantação, o desenvolvimento do vimieiro ocorre entre dois a três anos, até este produzir hastes de tamanho considerável.
Com o declínio da indústria do vime, a sua atual produção ocorre em pequenas explorações, como nas freguesias do Curral das Freiras, Camacha, Boaventura e Faial, locais com um clima húmido e recursos hídricos abundantes, condições propícias ao seu desenvolvimento.
José Figueira, residente no sítio da Fajã do Penedo, freguesia de Boaventura é dos poucos que ainda mantêm a produção do vime. Cerca de um mês antes da poda, procede à limpeza (corte) dos “rebentos”, das hastes mais grossas. A poda, ocorre entre os meses de fevereiro e março, quando a planta atinge a maturação. As hastes, à medida que vão sendo cortadas, são divididas por tamanhos e são amarradas em molhos e transportados às costas, até ao local onde serão cozidas.
Num caldeirão, com água a ferver, os vimes são colocados a cozer. A parte superior do caldeirão é “tapada” com plásticos, preso com tábuas, de forma a evitar que a água e os vimes transbordem com a fervura. A cozedura demora cerca de três horas, sempre com lume “alto”.
Após três horas de cozedura, os vimes são retirados do caldeirão, ainda a altas temperaturas, pulverizados com água fria, para que arrefeçam e se possa proceder ao seu descasque.
Os torços das hastes são batidos com um maço, ou colocados numa máquina adaptada para o efeito, para facilitar o restante descasque, manual.
Os molhos, são distribuídos pelas mulheres, que se posicionam, sentadas na berma da estrada, junto ao caldeirão. A tarefa de descascar manualmente os vimes, continua a ser uma tarefa confinada às mulheres.
Depois de descascados, são novamente separados e amarrados em molhos, por tamanhos, e colocados a secar ao sol, empinados nas bermas das estradas ou em cima das latadas da vinha, durante uma semana.
Após o tratamento do vime, este pode ser trabalhado inteiro, ou cortado em fitas (“liaça”) e utilizado na confeção de variadas peças utilitárias, cestaria, mobiliário, ou para empalhar garrafões e peças decorativas.
Os artesões que confecionam peças em vime, dão a conhecer a sua arte e comercializam os seus produtos, nas feiras de artesanato ou em eventos festivos, que ocorrem ao longo de todo o ano, um pouco por toda a Região. É o caso do artesão José do Rosário, residente no sítio do Caminho da Bela vista, na freguesia da Camacha, que expõe e comercializa os seus artefactos no Mercadinho da Camacha e Manuel de Jesus Figueira, residente no sítio da Fajã Escura, freguesia do Curral das Freiras, concelho de Câmara de Lobos, que comercializa os seus artefactos em vime, na festa da castanha, que se realiza, anualmente, naquela freguesia.
Origem/Historial: O vime é uma haste ou vara delgada e flexível, de cor amarelada que se retira da planta chamada vimieiro.
“O vimieiro da Madeira parece ser o produto do cruzamento da Salix Alba com a S. fragilis. É um arbusto ou pequena árvores com ramos compridos e flexíveis e as folhas lanceoladas, as adultas, glabras, as novas um tanto acetinadas. Só existe na Madeira indivíduos femininos, mas estes são extremamente abundantes e multiplicam-se de estaca com uma facilidade extrema.
Os ramos mais longos do vimieiro utilizam-se para o fabrico de grande número de móveis e utensílios, tais como canapés, cadeiras, mesas, carros, cestos, etc. os mais curtos para ligamentos e vencelhos, assim como para algumas obras miúdas que se fabricam na ilha.”