Contexto Temporal: o inhame passou a ser usado, quase exclusivamente, na época pascal, usado.
Caracterização: Depois de cavar o inhame, e após retirar o bolbo, popularmente designado por bolota, a canhota, ou seja, o talo da planta, é replantado, no mesmo dia, processo semelhante para os dois tipos de inhame.
Das várias espécies, distinguem-se o inhame de sequeiro, cultivado em terras secas e o inhame do hulheiro, das zonas húmidas (margens das levadas e ribeiros), sendo, este último, cultivado nos mesmos terrenos, onde se planta o agrião. Os rizomas destas plantas têm os tons brancos, vermelho ou roxo.
A sua preparação e cozedura é um processo moroso, e requer algum conhecimento.
Começam por cavar o inhame, cortam todas as raízes e, depois, é bem lavado em água corrente, de forma a retirar a "gosma" (goma), que esta planta produz. Este processo requer cuidados redobrados, pois esta substância provoca irritação e comichão na pele.
Depois de devidamente rapado e lavado, o inhame é cozido, submerso em água e coberto com um pano. No fundo de uma panela, colocam galhos de vides (ramos da videira), para evitar que ele cole no fundo. Quando a água começa a ferver, adicionam sal, a gosto. Fica a cozer durante, pelo menos, doze horas, até "tomar gosto" e adquirir a cor amarelada.
Por tradição, o inhame é cozinhado a lenha. É colocado a cozer ao fim da tarde, em lume brando, cozedura que perdura toda a noite. No dia seguinte, escorrem a água, retiram o inhame da panela e colocam-no num cesto, com uma toalha de tecido, para absorver a água, que adquiriu durante a cozedura.
O inhame é, usualmente, consumido cozido ou frito. Outrora era, também, utilizado na confeção da sopa de couve, para lhe dar consistência. Esta sopa era acompanhada com carne de porco salgada, conservada na salgadeira desde a época da Festa (o Natal).
Alguns dias após a sua cozedura, de modo a aproveitar o inhame que restava, fritavam-no em banha de porco, iguaria muito apreciada pelo povo.
Nas últimas décadas, devido à mudança de hábitos alimentares, o inhame passou a ser usado, quase exclusivamente, na época pascal, quando a planta atinge a maturação, pelo que passou a ser conhecido como inhame da Semana Santa, sendo consumido como acompanhamento de pratos de peixe, cumprindo-se o ritual religioso do "jejum".
Nesta época, o inhame é ainda presença obrigatória nas mesas de muitas famílias, sobretudo nas freguesias da costa norte, mas também no Funchal, para onde muitas famílias migraram, levando esta tradição gastronómica.
Origem/Historial: Inhame é a designação popular de uma planta alimentar, da família das Discoreáceas e da espécie Colocasia antiquorum, cuja parte comestível são os risomas, alongados, tuberculosos e feculentos.
Introduzida na ilha da Madeira, no século XVII, foi, durante muito tempo, um dos alimentos mais consumidos pela população local, tendo constituído a base alimentar de muitas famílias, especialmente na costa norte, onde era muito cultivado.
Bibliografia
RIBEIRO, Adriano, “O milho e o inhame”, In S. Vicente, subsídios para a história do concelho, Ed. Câmara Municipal de S. Vicente
LIBANO, Fernando, Gastronomia tradicional. O inhame da Semana Santa" tema online do mês de abril 2021, rúbrica do Museu Etnográfico da Madeira