Caracterização: A 15 de Agosto, comemora-se no Porto Santo, o dia de Nossa Senhora da Graça. Na véspera celebra-se a novena. Ao fim da tarde, realizam-se as romagens com oferendas de toda a ilha. No início da ladeira da ermida, juntam-se os romeiros e cantam cantigas ao som de uma braguinha, acordeão e viola, enquanto dirigem-se em direção à igreja, para depositarem os produtos no bazar.
No dia seguinte realiza-se a missa e em seguida sai a procissão. Enquanto a imagem sai do templo, os sinos tocam e de vez em quando estalam foguetes.
Após a procissão ter regressado à igreja, o padre dá a bênção aos inúmeros fiéis.
Durante a noite destes dois dias há animação com bandas e barracas de comes e bebes, onde não falta vinho e outras bebidas, bolo do caco, espetada e galinha na brasa. À meia-noite rebenta o fogo-de-artifício.
Origem/Historial: Os meses de Verão – Junho a Setembro – época das colheitas, eram meses festivos por excelência. Tratava-se da “recompensa” final pelo árduo trabalho tido ao longo do ciclo agrícola anual sendo, portanto, uma época de plenitude, de alegria, de festa.
Muitos destes rituais profanos foram absorvidos pelo Cristianismo, que os transformou em solenidades religiosas, embora sagrado e profano continuem a “conviver” no mesmo espaço, misturados numa amálgama de crenças e rituais.
As romarias são celebrações religiosas de invocação divina ou em honra de um santo, patrono de uma localidade ou de um santuário. Distinguem-se das outras festas religiosas pelo caráter de “peregrinação”, do percurso efetuado pelo povo até o local do santuário, antigamente a pé, por caminhos íngremes e atalhos.
No arquipélago da Madeira, tal como no resto do país, em todas as paróquias celebram-se estas festas religiosas, as quais são consagradas a Deus, ao Espírito Santo, a Nossa Senhora e aos santos e santas, representados por uma relíquia – fragmento ou objeto – ou por uma imagem.
Estas festas têm usualmente a sua origem na crença do povo em lendas populares ou foram introduzidas pelos primeiros colonizadores, que trouxeram consigo os seus santos detentores de poderes milagrosos, tornando-os protetores de determinadas localidades.
A festa de Nossa Senhora da Graça, tem origem numa lenda, que diz que por graça divina apareceu uma imagem de Nossa Senhora por cima de uma rocha, logo acima do sítio das Casinhas, decidindo-se construir ali uma capela.
A festa de Nossa Senhora da Graça, tem origem numa lenda, que diz que por graça divina apareceu uma imagem de Nossa Senhora por cima de uma rocha, logo acima do sítio das Casinhas, decidindo-se construir ali uma capela.
Bibliografia
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