Caracterização: A festa de N. Senhora do Loreto, freguesia do Arco da Calheta, é celebrada a 8 de Setembro.
No dia 7 de Setembro, pelas 21 horas, celebra-se a novena em honra de Nossa Senhora do Loreto. De noite decorre o arraial, com bandas e espetáculos musicais. À meia-noite realiza-se o fogo-de artifício. Primeiramente larga-se o fogo de várias cores e feitios. Depois o fogo preso, com dois bonecos cheios de artefactos pirotécnicos – o “velho” e a “velha” - que giram até serem consumidos.
No dia 8, ao meio-dia, rebenta a girândola. Após a missa, sai a procissão.
Nesta festa encontram-se muitos emigrantes que vieram de férias para se divertirem e pagarem as promessas. Por vezes são eles os festeiros, ou contribuem com verbas para as despesas da festa, em cumprimento de graças recebidas.
Origem/Historial: No arquipélago da Madeira, tal como no resto do país, em todas as paróquias celebram-se estas festas religiosas, as quais são consagradas a Deus, ao Espírito Santo, a Nossa Senhora e aos santos e santas, representados por uma relíquia – fragmento ou objeto – ou por uma imagem.
Estas festas têm usualmente a sua origem na crença do povo em lendas populares ou foram introduzidas pelos primeiros colonizadores, que trouxeram consigo os seus santos detentores de poderes milagrosos, tornando-os protetores de determinadas localidades.
As romarias realizam-se usualmente aos fins-de-semana e constituem um período de descanso, uma pausa no trabalho quotidiano.
A festa de Nossa Senhora do Loreto, é muito antiga, sendo o seu culto introduzido por Dona Joana de Eça, donatária de todas as terras do Loreto, no reinado de D. João III.
O culto da festa do Loreto tem origens em Itália. Conta a lenda que, no século XIII, com a chegada dos sarracenos a Nazaré, os anjos decidiram remover a casa onde morou N. Senhora. Primeiramente transportaram-na para a Dalmácia, mas como os fiéis não eram numerosos, decidiram levá-la até ao Loreto, uma cidade italiana. Devido a ser considerada uma relíquia, por ter sido tocada pela Virgem, a casa está dentro de um relicário de mármore, desenhado por Bramante, arquiteto italiano do séc. XV.
Bibliografia
FERREIRA, César; Catálogo "Festas e Romarias da Madeira", Museu Etnográfico da Madeira, Ribeira Brava, Julho, 2006.
BARROS, Jorge e COSTA, Soledade Marinho, Festas e Tradições Portuguesas. Círculo de Leitores, Lisboa 2002.
BRAGA, Teófilo, O Povo português nos seus costumes, crenças e tradições, Vol. II, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1986.
BRUCE-MITFORD, Miranda, O Livro Ilustrado dos Signos & Símbolos, Selecções do Reader’s Digest, Lisboa, 1996.
CAILLOIS, Roger; O Homem e o Sagrado, Perspectivas do Homem/Edições 70, Lisboa 1988.
ELÍADE, Mírcea; O Mito do Eterno Retorno, Edições 70, Lisboa.
ELÍADE, Mírcea; Tratado de História das Religiões, Edições Cosmos.
ESPÍRITO SANTO, Moisés, Origem Orientais da Religião Popular Portuguesa, Assírio e Alvim, Lisboa, 1988.
LOPES, Aurélio, Subversões rituais de um Natal Solsticial, In Jornal do Folclore, Dezembro 1998.
LOPES, Aurélio, A face do caos, Ritos de subversão na tradição portuguesa, Publicações do autor e de Garrido Artes Gráficas, Lisboa, 2000.
MARTINS, Oliveira; Sistema dos mitos religiosos, Guimarães Editores, Lisboa, 1986.