Caracterização: A confeção dos chapéus da planta "pata-de-cavalo" é um ritual lúdico, correlacionado com um ritual religioso - as visitas do Divino Espírito Santo - que tinha como objetivo uma performance lúdica, de imitação das "saloias" oficiais.
Para a confeção deste ornamento e utilizando "fragulhas" (fagulhas de pinheiro-bravo) para esse efeito, as meninas davam um ou dois pontos, na parte inferior da folha, de forma a encaixá-lo comodamente na cabeça e deixavam uma pequena parte da haste, na qual colocavam uma flor, imitando o carrapito da tradicional "carapuça" das saloias.
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Nome científico: Farfugium japonicum 'Giganteum'
Sinonímia: Ligularia tussilaginea, Arnica tussilagínea, Tussilago japonica
Nome comum: Pata-de-cavalo
Família: Asteraceae (Compositae)
Origem: China e Ásia (Japão e Taiwan)
A pata-de-cavalo é uma planta herbácea, rizomatosa com um ciclo de vida perene. Cresce através dos seus rizomas, formando grupos espessos e pode atingir cerca de 70 cm de altura. Apresenta folhas grandes que podem chegar aos 25 cm, são verdes, brilhantes, coriáceas (semelhante ao couro), inteiras ou lobadas e estão sustentadas por hastes longas e fortes. As suas inflorescências, compostas por numerosas flores amarelas, apresentam-se em hastes longas acima da folhagem.
Curiosidades: Há muitas variedades, pelo que podemos encontrar plantas com folhas de tamanhos, formatos e padrões diferentes; Em inglês o seu nome comum é “Leopard plant” (planta-leopardo) e em espanhol é “Boina de vasco” (boina-de-vasco), neste último caso devido às suas folhas lembrarem uma boina basca.
São já bem poucas as casas onde a "pata-de-cavalo" ainda se mantém com todo o seu esplendor. A sua diminuição nos quintais e jardins madeirenses, conduziu à gradual extinção desta tradicional brincadeira.
Origem/Historial: Os jogos e as brincadeiras constituem formas de estar e formas de sociabilizar, as quais embora possuam características universais, identificam uma cultura, na medida em que entre os seres humanos é a cultura que determina a “forma” de jogar.
Os brinquedos tradicionais, construídos pelas crianças com os materiais disponíveis no meio, utilizando a sua criatividade e imaginação, fazem parte do património cultural popular e estes artefactos lúdicos – os chapéus de "pata-de-cavalo" – faziam parte do quotidiano madeirense, por altura das festas em honra do Espírito Santo.
Com o abandono progressivo de muitos jogos e brincadeiras perderam-se expressões da nossa cultura cheias de significado, como foi o caso destes artefactos criados pelas crianças por altura das chamadas "visitas pascais".
Bibliografia
SOUSA, Margarida Bon de, “Como existem mãos que à terra me prendem”, In: Artes & Leilões, Nº8, Ano 2, Fevereiro/Março.