Ficha de Inventário

Mangual

  • Museu: Museu Etnográfico da Madeira
  • Nº de Inventário: MEM96/91
  • Supercategoria: Etnologia
  • Categoria: Alfaias Agrícolas
  • Datação: Século 20
  • Dimensões (cm): Comp. Cabo:1,20m; Pírtigo:65 x Alt. Pírtigo:5 x Larg. Pírtigo:10 x Diâm. Cabo: 3
  • Descrição: Peça composta por duas peças: o cabo, relativamente curto, de secção circular e o "pírtigo", de secção quadrangular, levemente encurvado. Estas duas peças estão ligadas e articuladas numa das extremidades por tiras de couro - a "mea". Esta prende-se à extremidade de cada uma dessas peças por meio de dispositivos que têm o nome de "casula" (do cabo) e "encedouro" (do "pírtigo"). Neste caso, o casulo é constituído por tiras de borracha (de pneu), fixos com pregos. No aspeto tipológico, o mangual madeirense caracteriza-se pela "casula" fixa, como sucede nos países mediterrânicos e em contraste com variantes muito difundidas na Europa Central, onde esta, embora presa ao cabo, gira em torno deste.
  • Origem/Historial: Esta técnica de debulha de percussão indireta é utilizada não só devido às condições climatéricas, mas também conforme o destino a dar à palha, visto esta ficar inteira quando malhada, o que na ilha da Madeira era importante, pois a palha era aproveitada para cobrir as casas (as casas eram "abafadas"). Devido a essa posterior utilização da palha na construção, o mangual aparece exclusivamente na Madeira e esta forma de debulhar persistiu até ao século XX, sendo ainda atualmente utilizada (como pudemos constatar no Sítio das Fontes - Ribeira Brava), pois o camponês sempre a ela recorria quando precisava de reparar ou refazer a cobertura da sua habitação. Os malhadores empunhavam o cabo com as duas mãos e batiam o cereal com o pírtigo. A debulha dos cereais é o processo de extração do grão, que consiste em separar as espigas e desalojar o grão das mesmas. No nosso arquipélago utilizavam-se diferentes técnicas e, consequentemente, diferentes utensílios nesta operação. A utilização de diferentes instrumentos, nesta fase de tratamento dos cereais, prendia-se, por um lado, com a quantidade de grão a extrair e, por outro lado, com as condições ambientais e a utilização a dar à palha. Na ilha da Madeira era mais comum o uso do “mangual”, que não quebrava a palha, podendo aquela ser aproveitada para “abafar” (cobrir) as chamadas “casas de colmo”, enquanto na ilha do Porto Santo utilizava-se o “trilho”, que quebrava a palha, visto esta não ser necessária para cobrir as casas, que ali eram cobertas com “salão” (barro local). O mangual é um instrumento de percussão indireta, composto por dois paus, o cabo e o “pírtigo”, ligados e articulados numa das extremidades por tiras de couro, a chamada “meã”. Esta prende à extremidade de cada uma dessas peças por dispositivos também de couro, ou de borracha, os quais têm as designações de casula (do cabo) e encedouro (do pírtigo). Para proceder à operação de debulha, o malhador empunha o cabo com as duas mãos, e bate o cereal com o pírtigo. Esta operação é conhecida, popularmente por “malhar o trigo”.
  • Incorporação: Desconhece-se o modo de aquisição. A peça encontrava-se na DRAC e foi incorporada no museu aquando da sua inauguração.

Bibliografia

  • BRANCO, Jorge Freitas; "Camponeses da Madeira, As bases materiais do quotidiano no Arquipélago (1750/1900)", Lisboa: Publicações D. Quixote, Col. Portugal de Perto, 1987.
  • OLIVEIRA, Ernesto Veiga de; GALHANO, Fernando; PEREIRA, Benjamim, "Alfaia Agrícola Portuguesa", Instituto de Alta Cultura, Centro de Estudos de Etnologia, Lisboa, 1976.
  • FERREIRA, Lídia, Catálogo da exposição "Um grão levado pela corrente", Museu Etnográfico da madeira, Ribeira Brava, 1996, texto policopiado.

Multimédia

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