Dimensões (cm): Comp. Cabo:1,20m; Pírtigo:65 x Alt. Pírtigo:5 x Larg. Pírtigo:10 x Diâm. Cabo: 3
Descrição: Peça composta por duas peças: o cabo, relativamente curto, de secção circular e o "pírtigo", de secção quadrangular, levemente encurvado. Estas duas peças estão ligadas e articuladas numa das extremidades por tiras de couro - a "mea". Esta prende-se à extremidade de cada uma dessas peças por meio de dispositivos que têm o nome de "casula" (do cabo) e "encedouro" (do "pírtigo"). Neste caso, o casulo é constituído por tiras de borracha (de pneu), fixos com pregos.
No aspeto tipológico, o mangual madeirense caracteriza-se pela "casula" fixa, como sucede nos países mediterrânicos e em contraste com variantes muito difundidas na Europa Central, onde esta, embora presa ao cabo, gira em torno deste.
Origem/Historial: Esta técnica de debulha de percussão indireta é utilizada não só devido às condições climatéricas, mas também conforme o destino a dar à palha, visto esta ficar inteira quando malhada, o que na ilha da Madeira era importante, pois a palha era aproveitada para cobrir as casas (as casas eram "abafadas").
Devido a essa posterior utilização da palha na construção, o mangual aparece exclusivamente na Madeira e esta forma de debulhar persistiu até ao século XX, sendo ainda atualmente utilizada (como pudemos constatar no Sítio das Fontes - Ribeira Brava), pois o camponês sempre a ela recorria quando precisava de reparar ou refazer a cobertura da sua habitação.
Os malhadores empunhavam o cabo com as duas mãos e batiam o cereal com o pírtigo.
A debulha dos cereais é o processo de extração do grão, que consiste em separar as espigas e desalojar o grão das mesmas.
No nosso arquipélago utilizavam-se diferentes técnicas e, consequentemente, diferentes utensílios nesta operação. A utilização de diferentes instrumentos, nesta fase de tratamento dos cereais, prendia-se, por um lado, com a quantidade de grão a extrair e, por outro lado, com as condições ambientais e a utilização a dar à palha.
Na ilha da Madeira era mais comum o uso do “mangual”, que não quebrava a palha, podendo aquela ser aproveitada para “abafar” (cobrir) as chamadas “casas de colmo”, enquanto na ilha do Porto Santo utilizava-se o “trilho”, que quebrava a palha, visto esta não ser necessária para cobrir as casas, que ali eram cobertas com “salão” (barro local).
O mangual é um instrumento de percussão indireta, composto por dois paus, o cabo e o “pírtigo”, ligados e articulados numa das extremidades por tiras de couro, a chamada “meã”. Esta prende à extremidade de cada uma dessas peças por dispositivos também de couro, ou de borracha, os quais têm as designações de casula (do cabo) e encedouro (do pírtigo).
Para proceder à operação de debulha, o malhador empunha o cabo com as duas mãos, e bate o cereal com o pírtigo. Esta operação é conhecida, popularmente por “malhar o trigo”.
Incorporação: Desconhece-se o modo de aquisição. A peça encontrava-se na DRAC e foi incorporada no museu aquando da sua inauguração.
Bibliografia
BRANCO, Jorge Freitas; "Camponeses da Madeira, As bases materiais do quotidiano no Arquipélago (1750/1900)", Lisboa: Publicações D. Quixote, Col. Portugal de Perto, 1987.
OLIVEIRA, Ernesto Veiga de; GALHANO, Fernando; PEREIRA, Benjamim, "Alfaia Agrícola Portuguesa", Instituto de Alta Cultura, Centro de Estudos de Etnologia, Lisboa, 1976.
FERREIRA, Lídia, Catálogo da exposição "Um grão levado pela corrente", Museu Etnográfico da madeira, Ribeira Brava, 1996, texto policopiado.