Contexto Territorial: Sítio da Tabua - Ribeira Brava
Caracterização: As castanholas da Tabua eram instrumentos utilizados na freguesia com o mesmo nome, a caminho das missas do parto, do galo, nas festas e romarias, e geravam rivalidades entre grupos de tocadores, com construções de grandes dimensões e formas, inovando nos sons obtidos. Para a confeção destes instrumentos utilizavam-se diferentes tipos de madeira, nomeadamente, castanho, laranjeira, louro, vinhático, buxo, nogueira, til e urze. O Mestre Arlindo fabrica castanholas com diferentes dimensões, utilizando usualmente o castanho.
Depois de cortadas as duas superfícies de madeira, o artífice desbasta-as com a podoa, arredondando as extremidades.
Utilizando a serra manual, marca no seu interior, o ponto até onde irá escavar a madeira e com o auxílio do martelo e de um escopro inicia esta operação.
Depois, recorta os cantos com o auxílio da serra, da podoa e do canivete.
Finalmente faz os furos, nos quais será preso o fio, para prender as castanholas à mão. Para furar a madeira utiliza uma sovela e um arame previamente aquecido.
As castanholas são encaixadas na palma da mão e presas com o fio, que passa no dorso da mão e no dedo médio. Para tocar flecte o punho e fecha ligeiramente a mão, formando uma concha.
Ferramentas:
Para a confeção destes idiofones de percussão direta, o artífice utiliza a serra manual, a podoa e o canivete.
Origem/Historial: As castanholas da Tabua eram tocadas na época natalícia a caminho das missas do parto e do galo, e por altura das festas e romarias nos meses de verão, é na Tabua, freguesia pertencente ao concelho da Ribeira Brava, e em algumas zonas próximas, que estes instrumentos musicais possuem maior tradição
Era habitual na freguesia da Tabua, juntarem-se grupos de homens, aos Domingos ou à noite, para construírem castanholas com diferentes formas e dimensões, procurando inovar na forma de tocar e nos resultados acústicos obtidos, rivalizando entre si. Existiram dois grupos de tocadores rivais, que embora constituídos por elementos de diversas localidades, eram conhecidos popularmente por Grupo da Ribeira e Grupo dos Zimbreiros sendo muitas vezes o adro da igreja palco destes “despiques”.
Na década de 40, do século passado, formou-se um grupo, a chamada “Requestra da Tábua”, que atuou em diferentes festividades, fazendo parte do cartaz de animação de alguns eventos, nomeadamente no Arraial de São Pedro (Ribeira Brava) e na Festa das Vindimas (Funchal).
Esta rivalidade terá incentivado a construção destes instrumentos, e estará provavelmente na origem do aparecimento de uma maior variedade morfológica, na Ribeira Brava e na Ponta do Sol, concelhos onde estes idiofones de percussão direta adquiriram características muito peculiares, como é o caso das castanholas com grandes dimensões, as castanholas com formas zoomórficas (galinhas ou cabeças de cão) ou o artefacto único, patente nesta exposição, da autoria de Alfredo Rodrigues Luzirão: o “avião de castanholas”.
O seu autor, ainda jovem, juntou-se nos anos 40 ao grupo do seu sítio, tendo criado este original instrumento, um sucesso naquela época. Nos anos 70, a pedido do Escultor António Rodrigues, produziu uma réplica, patente na “1ª Mostra de Instrumentos Musicais Populares” e que foi doada ao Museu Etnográfico da Madeira, pelo escultor, enriquecendo o seu acervo.
Arlindo Lourenço, natural da Tabua, ainda se dedica à construção destes artefatos, mantendo viva a tradição.
No entanto, este ofício está em risco de extinção por falta de aprendizes para construir os instrumentos e tocá-los.
Atendendo à sua morfologia, estes instrumentos possuem características únicas a nível nacional.
Ao longo dos anos têm sido efetuadas exposições, oficinas e outras ações de salvaguarda e valorização, por diferentes instituições, nomeadamente pelo Museu Etnográfico da Madeira e pela Casa do Povo da Tabua e a Associação Xarabanda e foi criado há alguns anos o Grupo de Tocadores de Castanholas da Casa do Povo da Tabua que atuam nas missas do parto, missa do galo e outros eventos. O Grupo de Folclore da ribeira Brava possui também um tocador de castanholas numa tentativa de salvaguarda e valorização deste instrumento.
Bibliografia
RODRIGUES, António. 1º mostra de instrumentos musicais populares. Recolha, restauro, construção, Edição Direcção Regional dos Assuntos Culturais e Câmara Municipal do Funchal, Serviços Culturais
PEREIRA, Eduardo C. N., "Ilhas de Zargo", Volume II, 4ª Ed., Funchal, 1989.
FERREIRA, Lídia Góes, "As Castanholas da Tabua", Catálogo Museu Etnográfico da Madeira, Ribeira Brava, Dezembro 2010/Março 2011.
FERREIRA, Lídia Góes, Catálogo "Sons da Nossa Gente: As Castanholas da Tabua", Catálogo Museu Etnográfico da Madeira, Ribeira Brava, Junho 2014/Janeiro 2015.
FERREIRA, Pe Manuel Juvenal Pita; O Natal na Madeira - Estudo Folcórico; 2ª ed, DRAC, Madeira, Funchal, 1999
Exposições
Património Imaterial: Sons da Nossa Gente, Castanholas da Tabua
Quinta Magnólia: Raízes do Atlântico
9/6/2016 a 13/6/2016
Exposição Física
Património Imaterial: Sons da Nossa Gente: Castanholas da Tabua