Ficha de Inventário

Cadeira

  • Museu: Museu Etnográfico da Madeira
  • Nº de Inventário: MEM96/98
  • Supercategoria: Etnologia
  • Categoria: Equipamento de uso doméstico
  • Datação: Século 20
  • Técnica: Marcenaria
  • Dimensões (cm): Comp. 41.2 x Alt. 84.3 x Larg. 48.6
  • Descrição: Cadeira quadrangular, com espaldar, assento e braços horizontais, ondulados e móveis, que permitem encerrá-la após a sua utilização. Possui uma base saliente e moldurada. No centro do assento existe um orifício, de forma circular, onde encaixa um bacio em loiça, que pode ser retirado pela porta existente na parte frontal inferior.
  • Origem/Historial: Antigamente esta peça de mobiliário, também designada por "cadeira de prever", encontrava-se nos quartos de dormir, sendo utilizada para satisfazer as necessidades fisiológicas, sobretudo a doentes, que estavam impedidos de deslocar-se. Nas casas de arquitectura popular, o quarto de dormir é uma pequena divisão da casa. Tem sempre uma janela provida de tapassóis. Um tabique separa os quartos. É costume haver dois quartos de dormir. Enquanto as crianças são pequenas dormem num berço no quarto dos pais. À medida que crescem passam para outro, onde o número de crianças costuma ser grande. O mobiliário do quarto de dormir das casas humildes é simples. As matérias-primas utilizados na sua fabricação são, regra geral, as que se podem obter na região. As madeiras mais utilizadas são as de pinho, til, carvalho ou castanho, de acordo com a situação económica da família. As camas mais comuns são as de ferro forjado, e as camilhas de madeira. Esta última é constituída por quatro postes verticais ligados por quatro varas transversais. Em volta da cama existe um reposteiro menor, o rodapé As camas têm um leito de tábuas espaçadas de 3 centímetros, que descansem em duas travessas. Sobre as tábuas deita-se um colchão cheio de lã. Muitos empregam lã bruta, outros trabalham-na (lavada, etc.). No segundo caso recebe o nome de lã aberta. Por cima do colchão estende-se um lençol branco tecido em casa, lençole, e o cobertor coberta. Uma segunda coberta, travissâira (travesseiro), faz de colcha; em cima deita-se o travesseiro, almofada.? Ao lado da cama existe um pequeno móvel designado de mesa de cabeceira, onde era frequente haver um candeeiro de vidro a petróleo, ou um candeio, ou ainda um recipiente cónico feito em folha, denominado de bruxinha. A iluminação era bastante deficiente, e os afazeres domésticos eram feitos durante o dia. A roupa é normalmente acondicionada em grandes caixas (arcas), pois na maioria das casas não existe guarda-fatos. No interior desta, existe uma gaveta com tampa designada por escaninho. A fechadura é composta por uma chave e por um ferro que atravessa na vertical denominado de ferrolho de caixa. É também frequente haver uma cómoda para guardar os cobertores e lençóis, e uma ou duas cadeiras. Existe ainda outros objectos de ferro esmaltado ou de cerâmica, consoante a riqueza da casa, tais como os lavatórios (lava-mãos), o bidé, e a banheira. São vários os tipos de lavatório. Os mais completos têm espelho e toalheiro. Devido à grande fé do povo madeirense é costume haver pendurado na parede quadros religiosos, e um oratório em madeira, com um crucifixo e Santos da devoção. A reconstituição apresentada ao público nesta sala, baseou-se num quarto de dormir, de uma casa mais abastada. Embora estejam expostas vários objectos referidos no texto, são também apresentados ao público diferentes peças de mobiliário, utilizados usualmente nas habitações de classes com um nível económico mais elevado.
  • Incorporação: Esta peça, encontrava-se na Direcção Regional dos Assuntos Culturais, sendo transferida e incorporada no espólio do Museu Etnográfico da Madeira aquando da sua abertura em 1996.

Bibliografia

  • FERREIRA, César, Catálogo da Exposição Permanente - Unidade Domestica, Quarto de Dormir." Museu Etnográfico da Madeira, Ribeira Brava.

Multimédia

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