Contexto Temporal: três ou quatro dias antes do Domingo de Ramos, os Irmãos do Santíssimo Sacramento da paróquia da Ponta do Pargo reúnem-se para confecionarem os palmitos.
Caracterização: Os palmitos do Domingo de Ramos, são uma tradição perpetuada pelos Irmãos da Confraria do Santíssimo Sacramento da Ponta do Pargo que há mais de 30 anos, juntam-se, anualmente, nos três ou quatro dias que antecedem o “Domingo de Ramos” para confecionarem os tradicionais palmitos, que vão ornamentar o altar da igreja, para a bênção da missa do “Domingo de Ramos.” Para a confeção dos palmitos, começam por cortar as folhas à volta da copa da palmeira, reservando sempre as do meio, para que cresçam no próximo ano.
Uma vez cortadas, dividem as folhas em três ou quatro pedaços, dependendo da dimensão pretendida para o palmito.
Em cada pedaço cortado retiram, de cada lado da haste, três tiras na parte inferior, de modo a formar uma pega.
Os artesãos começam depois por dividir o bocado da folha em tiras, todas com a mesma largura e em número ímpar, até formar um xadrez, bem justificado, quadradinho a quadradinho.
Quando terminam o entrelaçado e para evitar que se desmanche, amarram as pontas daquilo a que chamam a “folha”, entrelaçada, que é curvada e presa na haste, com uma agulha e linha, ou com fitas cortadas da própria haste.
Uma vez presa a primeira “folha” seguem o mesmo processo para as outras. Os tradicionais palmitos variam entre as duas e três “folhas”, deixando-se sempre as pontas soltas.
Nas paróquias do Amparo, Ponta do Pargo e Fajã da Ovelha, a bênção dos palmitos é feita antes da missa, no largo mais emblemático do sítio. Os fiéis depois seguem em procissão até à Igreja.
Os tradicionais palmitos variam, de paróquia para paróquia, na sua morfologia e dimensão.
Cumprida a bênção dos palmitos, estes são guardados em casa como relíquias sagradas. É crença popular que a presença do palmito benzido evita a entrada do “mal” na família e afugenta os maus espíritos.
O alecrim, benzido também com os palmitos no “Domingo de Ramos”, é usado para perfumar as pessoas e o gado, nos ritos de curandice contra o mau-olhado.
Durante a tempestade, era comum o povo queimar o palmito e atirar as suas cinzas ao vento, ritual este acompanhado de orações a Santa Bárbara, pois era crença popular que este gesto afugentava os trovões e abrandava o vento.
Origem/Historial: Uma das tradições do “Domingo de Ramos” consiste na chamada “bênção de ramos” ou dos palmitos, prática que existe um pouco por todo o país.
Com o início da “Semana Santa”, os crentes recordam, neste Domingo, um dos episódios da vida de Jesus Cristo: a sua entrada messiânica em Jerusalém, para celebrar a Páscoa judaica, durante o qual foi recebido, segundo o Evangelho, “com gritos de alegria e o maior entusiasmo da multidão” que o aclamaram, ostentando folhas de palmeira. É neste episódio que reside a origem religiosa deste ritual simbólico da “bênção dos ramos”.
A confeção do palmito possui uma longa tradição na nossa Região, em especial na Ilha do Porto Santo, decorrente do grande número de palmeiras ali existentes, devido às condições naturais favoráveis para o desenvolvimento daquela planta: um clima tropical, com terrenos áridos.
Bibliografia
QUINTAL, Fátima; "Bassoiras de palma e de urze"", Grupo de Folclores da Casa do Povo de Gaula, Revista de Folclore 24h a Bailiar, Santana, 2001.
RODRIGUES, Luís Alberto; "A fé dos Portossantenses nos Palmitos", In Revista de Folclore Santana 24h a Bailar, Julho 1991.
Exposições
Acesso às coleções em reseva. Artefectos em palmito
Museu Etnográfico da Madeira
18/6/2018 a 8/12/2018
Exposição Física
Artefactos em palmito
Parque Temático da Madeira
16/4/2019 a 23/9/2019
Exposição Física
Multimédia
Benção dos Ramos.JPG
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Irmãs do Santíssimo Sacramento, na confeção dos palmitos.JPG
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Corte das folhas de palmeira.JPG
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Corte das folhas de palmeira.JPG
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Divisão das folhas em tiras, que depois são cruzadas em xadrez.JPG
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divisão das fohas para serem cruzadas em xadrez.JPG
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Palmito com folhas rendilhadas.JPG
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Palmito encimado por uma cruz.JPG
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Palmito ornamentado com fitas coloridas e galhos de alecrim.JPG
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Palmitos ornamentados com folhas de camélias.JPG
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Irmãs do Santíssimo Sacramento, na confeção dos palmitos.JPG
Corte das folhas de palmeira.JPG
Corte das folhas de palmeira.JPG
Divisão das folhas em tiras, que depois são cruzadas em xadrez.JPG
divisão das fohas para serem cruzadas em xadrez.JPG
Palmito com folhas rendilhadas.JPG
Palmito encimado por uma cruz.JPG
Palmito ornamentado com fitas coloridas e galhos de alecrim.JPG