Com o objetivo de proporcionar uma maior rotatividade das coleções, o museu dá continuidade ao projeto denominado “Acesso às coleções em Reserva”, sendo apresentada, semestralmente uma nova temática.
Pretende-se, com esta exposição, divulgar uma tradição ancestral, subjacente a um saber fazer que faz parte do nosso património cultural material e imaterial e que representa a herança cultural de gerações passadas.
Neste semestre o museu dá a conhecer ao público os remates de telhado presentes na arquitetura madeirense. Colocados nos extremos dos beirais, os remates de telhado apresentam várias modelos que vão desde as cabeças de menino, cabeças de fidalgo e de senhora, pombas de asa aberta e de asa pousada, cabeças de cão, bem como outros animais, setas, folhas de acanto, naturalistas e estilizadas.
Estes ornamentos, muito associados às superstições e presságios, funcionavam como figuras protetoras do lar e das pessoas que nele habitavam, contra a inveja e mau-olhado. Ao que tudo indica, a tradição de ornamentar os telhados, teve origem no Médio Oriente sobretudo na China, associado à ideia de protecionismo, inspirado em figuras mitológicas com poderes sobrenaturais, como o dragão e o grifo.
Os remates de telhado, foram introduzidos na arquitetura madeirense pelos colonizadores, vindos de Portugal Continental, a sua colocação nos telhados passou a ser “obrigatória” nas habitações construídas durante o Séc.XX, caindo em desuso no final do século. Esta tradição adquiriu na Ilha da Madeira uma maior expressão e longevidade do que no seu território de origem.
Inicialmente os remates de telhado eram confecionados, à mão por oleiros, mas devido à sua grande procura, as olarias, passaram a usar moldes em gesso, o que possibilitou a sua produção em série. A última olaria a laborar na Ilha da Madeira, foi a Antiga Olaria do Lazareto no Funchal, encerrada em 2004. Alguns dos moldes em gesso onde se confecionavam os remates de telhado, estão presentes nesta exposição.
Na última década assiste-se à recuperação desta tradição ancestral, fortemente enraizada na cultura madeirense, com modelos modernizados de remates antigos e outros mais contemporâneos, todos com o objetivo de proteger e embelezar as habitações.
Texto: Fernando Libano, César Ferreira
Fotografia: Fernando Libano