Exposição virtual que resulta de mostra expositiva inserida no âmbito das comemorações da Festa da Flor de 2023 e do Dia Internacional dos Museus, celebrado a 18 de maio. Estará a decorrer, em exposição temporária, no MQC até 31 de outubro de 2023.
Em finais do século XVIII e ao longo do século XIX, a ilha da Madeira foi um importante entreposto comercial vinícola, um paraíso exótico para os naturalistas e um "sanatório natural" que, devido às caraterísticas do seu clima ameno, a pureza do ar e o sossego no modo de vida, contou com a presença de muitos estrangeiros, maioritariamente comerciantes e turistas de classes abastadas, sobretudo de nacionalidade inglesa, que aqui procuraram restabelecer a sua saúde.
Estes viajantes instalaram-se nas quintas madeirenses, espalhadas pelo anfiteatro da cidade do Funchal, adaptando-as ao seu jeito de viver, envolvidas por jardins muito ao estilo romântico inglês, com plantas exóticas, onde passavam grande parte do seu tempo em contemplação, lazer e repouso. Muitos foram aqueles que também se dedicaram ao estudo botânico e geográfico, registando e perpetuando as suas viagens em jornais, diários e álbuns, contribuindo para o conhecimento da fauna e flora, como também das vivências e costumes da Madeira de então.
Foi neste contexto que o Museu Quinta das Cruzes reuniu uma seleção de desenhos, gravuras e aguarelas sobre a botânica madeirense, executados por artistas ingleses durante a primeira metade do século XIX, aquando da sua estadia na Madeira e que, além de retratarem o quotidiano das gentes locais, prestaram, ainda, um tributo à beleza natural, ao "jardim em flor", denominação que ainda hoje carateriza a ilha.
Destacamos os álbuns de desenhos de espécimes botânicas editados em Londres, em 1845, Madeira Flowers, Fruits and Ferns: a selection of the botanical productions of thta island, foreign and indigenous e Selection of Madeira Flowers, com descrições científicas das flores, frutos e fetos, registadas ao pormenor por duas irmãs, Jane Wallas Penfold (1821-1884) e Augusta Robley (1809-1868), filhas de William Penfold (1776-1835), comerciante de vinhos, residentes na Quinta da Achada, no Funchal, desde 1803.
Do álbum Sketches by Emily Geneviève, composto por 98 registos, executados por diversos autores, entre 1841 e 1843 evidenciamos alguns desenhos aguarelados de cariz etnográfico e botânico. Neste, encontramos obras de Arthur Abbott, Ellen White, W. Thomas Gordon, Jane W. Penfold e uma aguarela de Adrew Picken, que, pelos mesmos motivos, se deslocaram à ilha em busca de tratamento terapêutico, tendo contribuído para o estudo, o conhecimento e a divulgação do arquipélago da Madeira no século XIX.
Exposição Online
Coordenação: Teresa Pais
Montagem e inserção de conteúdos: Andreia Morgado, Gabriela Nóbrega e Joana Veiga França