Cadeia operatória da confeção de uma figura antropomórfica representando o Santo Amaro, utilizada num ritual das festas em honra deste santo, na Ribeira Brava.
Descrição: Fase 12 da cadeia operatória: é recortada a massa, nos locais que representam os braços, as mãos e os dedos da figura.
O dia 15 de Janeiro, para além de ser designado como Dia de Santo Amaro, é também conhecido como o “dia de varrer os armários”, tradição secular que encerra no arquipélago da Madeira os festejos de Natal. Antigamente, toda a família reunia-se neste dia para assistir ao desarmar do presépio e festejar este Santo. Deitavam-se fora as searas, retiravam-se as frutas, o Menino era guardado no oratório e os pastorinhos nas caixas, até o ano seguinte. E na véspera, o povo andava de porta em porta, cantando ao som dos instrumentos tradicionais, quadras alusivas a este Santo. Munidos de uma vassoura, para “varrer os armários”, entravam cantando e serviam-se de vinho, licores, doces e fruta da lapinha, repetindo o ritual em todas as casas amigas.
No sítio da Achada, freguesia e concelho da Ribeira Brava, além da vassoura levavam uma figura antropomórfica, em maçapão, representando o Santo Amaro, o qual era colocada num cesto ou numa caixa, ornamentada com flores. Apesar de possuir muitos anos de tradição, este ritual parece ter sido pouco usual no arquipélago, só se conhecendo testemunhos da sua prática, neste concelho. O costume de representar um Santo numa figura de maçapão, ou partes do corpo humano, é comum em diferentes regiões da Europa.
Estas figuras, confecionadas com produtos agrícolas, são símbolos de abundância e aparecem em certos casos como garantias talismânicas de prosperidade e abundância.