Ficha de Inventário

Returning from a Picnic at Camacha

  • Museu: Casa-Museu Frederico de Freitas
  • Nº de Inventário: CMFF 181;5
  • Supercategoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: França, Isabella Hurst de (Pintor)
  • Datação: 1853/1854
  • Suporte: Papel
  • Técnica: Pintura a aguarela
  • Dimensões (cm): Alt. 25,4 x Larg. 70,9
  • Descrição: Extenso registo do regresso de uma excursão à Camacha. Ocupa o espaço de duas folhas, ao comprido, com as personagens seguindo ordenadamente, em fila indiana. O caminho ondeante, uma subida precedida de descida, passa por montanhas com afloramentos rochosos, entre alguma vegetação rasteira. O grupo é encabeçado por dois casais a cavalo, seguidos por Isabella que viaja na rede; o seu marido e outro homem cavalgam um pouco atrás, precedidos por um último cavalheiro carregado em rede. Os passeantes são assistidos por alguns vilões: os arrieiros que se esforçam por acompanhar a passada dos seus cavalos, os transportadores levando as redes e alguns mais para acartar as provisões. A imagem fixa o preciso momento em que uma das senhoras tomba da sua montada, e toda a sequente movimentação: o segundo cavaleiro que alça a perna para desmontar em seu socorro e o acelerar da passada dos arrieiros, apressados em acudir ao eminente acidente. A pintura deixa uma margem inferior onde se inscrevem o título manuscrito a tinta castanha e a referência da página a negro. Dominam a pintura os tons pastel, acastanhados, rosas, azuis, verdes, cinzas, negro e branco.
  • Origem/Historial: Esta aguarela é uma das 24 que ilustram o diário da viagem de Isabella de França, à Madeira e a Portugal, nos anos de1853 e 1854. Todas possuem idênticas dimensões, apesar de pintadas ao alto ou ao baixo, menos uma, de maior formato, que ocupa duas páginas. Também, com exceção de uma, todas apresentam o título, seguido da indicação da respetiva página relativa à passagem que lhes respeita. Elementos determinantes de valorização do manuscrito, este conjunto de pinturas, simples e ingénuas, representam fontes iconográficas únicas, que mostram interiores, locais, momentos e vivências, raramente registados. Fixam as melhores recordações de uma viagem, as curiosidades e as ocorrências marcantes. Dão-nos uma perspetiva subjetiva e parcial, mas repleta de informações e contribuições que proporcionam uma visão menos comum da realidade passada. O diário inicia-se com o embarque, em Londres, no navio Eclypse, a 23 de Julho de 1853,relata a viagem de cerca de 23 dias até ao Funchal, e a estadia que se prolongou por quase onze meses. Descreve os passeios pelas redondezas da cidade e outros pontos da costa sul da Ilha, sem incluir a vertente Norte que não chegou a ser visitada. O texto, muito vivo e alegre, repleto de curiosidades, pormenores sobre a história, as lendas, os usos e costumes locais, não é isento de algumas opiniões questionáveis, mas constitui um manancial único de informação sobre a vivência da época. Sem grandes artifícios literários, nem a preocupação dos textos mais eruditos, a narração, realizada na primeira pessoa, é muito subjetiva, revelando sentimentos e gostos, reparos e notas de bom humor, denunciando um espírito culto e informado, de tal modo jovem e interessado que dificilmente se associa à idade real da autora. De regresso a Inglaterra o casal passa por Lisboa, onde chega a 8 de Junho de 1854. A capital é descoberta através de vários passeios, que incluem uma ida a Sintra. A 19 de Julho embarcam de novo e, após uma escala em Vigo, aportam em Southampton no dia 23 de Junho, terminando aí o diário de viagem. Naturalmente o documento foi redigido, compilado, revisto e as pinturas concluídas, após o regresso a Londres. Isabella denuncia a sua intenção de o publicar ao referir, numa dada passagem: os meus leitores. A própria normalização do formato das aguarelas, bem como as páginas manuscritas, sem emendas, nem acrescentos, parecem ter sido prévia e deliberadamente preparadas para apresentar a um possível editor. O século 19 é profícuo nesse tipo de literatura e, no próprio ano, do seu regresso da Madeira é editado o relato de Lady Emmeline Stuart Wortley , sobre a viagem a Portugal e à Madeira, empreendida em 1851. O diário propriamente dito é um volumoso manuscrito, em inglês, encadernado e constituído por 342 páginas de papel de linho azul, preenchido por uma letra regular, levemente inclinada para a direita, sem rasuras, ou acrescentos de qualquer espécie. Não apresenta título, nem sequer se encontra dividido em capítulos, possuindo sim as páginas numeradas. O conjunto foi adquirido, em Londres, pelo Dr. Frederico de Freitas entre os anos de 1937 e 1938, sendo a sua existência anunciada num artigo do Arquivo Histórico da Madeira, datado de 1939. Desde início houve intenção de publicar este inédito, tendo o projeto sofrido sucessivos adiamentos até que, em 1967, o Eng.º João Miguel dos Santos Simões, foi incumbido pela Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal, de retomar os trabalhos iniciados por João Cabral do Nascimento – responsável pela tradução do texto em 1940 – e orientar a saída da futura publicação. Essa tarefa, levada acabo a partir de 1967, culminou com a edição em 1970, do Jornal de uma Visita à Madeira e a Portugal (1853-1854), com introdução de Cabral do Nascimento e Santos Simões, este último também autor das notas que complementam os textos originais. São essas anotações que contêm toda a minuciosa e sistemática investigação então empreendida e que permitiu não só descobrir a identidade da autora do Jornal e das aguarelas, como também revelar o seu percurso de vida, relações familiares, esclarecer e confirmar diversos detalhes da sua viagem à Madeira e a Portugal. Em 1978 o Dr. Frederico de Freitas legou as suas coleções à Região Autónoma da Madeira, o que naturalmente englobou este precioso conjunto. Em 1988 e novamente em 1999 para comemorar a abertura ao público e posteriormente a conclusão do projeto da Casa-Museu Frederico de Freitas foram editados para venda ao público fac-similes das aguarelas de Isabella relativas à Madeira. Os originais foram exibidos, em 1988, na exposição “ Estampas, aguarelas e desenhos da Madeira Romântica” e depois, em 2009, seis figuraram na exposição “Obras de referência dos Museus da Madeira” realizada na Galeria D. Luís, no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa. Foram ainda expostos, em 2013, numa pequena exposição temporária, montada na Casa-Museu Frederico de Freitas, no âmbito das comemorações do Dia Internacional dos Museus.
  • Incorporação: Testamento

Bibliografia

  • Arquivo Histórico da Madeira. Lisboa: Câmara Municipal do Funchal, 1939
  • Estampas, Aguarelas e Desenhos da Madeira Romântica (Catálogo). Funchal: DRAC/ SRTC, 1988
  • FRANÇA, ISABELLA DE - Jornal de uma Visita à Madeira e a Portugal, 1853-1854. Funchal: Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal, 1970

Exposições

  • Estampas, Aguarelas e Desenhos da Madeira Romântica

    • Portugal: Funchal, Casa-Museu Frederico de Freitas
    • Exposição Física
  • Obras de Referência dos Museus da Madeira (PNA)

    • Galeria de Pintura do rei D. Luís I, Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa
    • 20/11/2009 a 28/2/2010
    • Exposição Física
  • A Madeira de Isabella de França. O diário de uma viagem

    • Casa-Museu Frederico de Freitas
    • 18/5/2013 a 18/12/2013
    • Exposição Física
  • O DIÁRIO DE ISABELLA DE FRANÇA. REGISTOS DE UMA VIAGEM 1853-1854

    • Exposição Online

Obras relacionadas

Multimédia

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