Ficha de Inventário

Bica

  • Museu: Museu Etnográfico da Madeira
  • Nº de Inventário: MEM96/756.3
  • Supercategoria: Etnologia
  • Categoria: Atividades transformadoras
  • Datação: Século 20
  • Dimensões (cm): Comp. 45 x Alt. 8.5 x Larg. 20
  • Descrição: Calha de madeira, presa na parte inferior da moega, de formato triangular, com paredes verticais, fundo em rede fina de arame. À frente, no bico, possui um arco semi-circular, no qual se amarra um fio ou uma corda, que permite regular a altura da bica. Na extremidade possui uma ponta de ferro (protegida por uma secção de cana vieira), a qual bate na "roca" e que, com a ajuda de uma mola presa no lado oposto, regula a queda do grão.
  • Origem/Historial: No compartimento onde trabalha o moleiro, encontram-se dois casais de mós, trabalhando independentemente. Uma destina-se a milho e a outra a trigo. Isto porque o material das pedras varia, consoante o cereal. Pedras de basalto para o trigo e de calcário para o milho. A moenda, ou seja, o mecanismo de moagem propriamente dito, é constituído por um par de mós de pedra, a superior que é móvel e a inferior que é fixa, entre as quais se processa a farinação do cereal. Estas pedras circulares, altas e pesadas, têm um buraco redondo no meio, normalmente denominado por olho da mó. Sobre a mó superior existe uma caixa de madeira, com o fundo em forma de pirâmide invertida e aberta – a moega – onde é deitado o grão. O grão cai através de uma calha de madeira inclinada – a bica. Da maior ou menor inclinação desta depende a queda do grão. Esta inclinação é regulada através de uma corda enrolada num torno espetado na moega, que se aperta ou desaperta para baixar e erguer a bica. Existe um mecanismo, a roca, que faz vibrar a bica para que a queda do grão seja regular. É formado por duas peças de metal. A ponte de uma delas assenta na mó superior e o movimento desta faz tremer a ponta da outra presa à bica. Na parte inferior da moega encontra-se a pazinha de trilhar o cereal. A moega está suspensa por uma armação de ripas de madeira, presa às traves do telhado, ou à parede, de modo que a extremidade da bica fique sobre o olho da mó. As duas mós encontram-se no interior de uma estrutura com um tampo de madeira e a farinha cai na caixa, protegida por um pano.
  • Incorporação: Esta peça, foi adquirida pelo Museu Etnográfico da Madeira, incluída num lote de peças, de um moinho de água que deixou de funcionar. Publicado em Jornal Oficial, I Série, nº 165, 01/09/1995

Bibliografia

  • GALHANO, Fernando; "Moinhos e Azenhas de Portugal", Associação Portuguesa dos Amigos dos Moinhos, Secretaria de Estado e Cultura, Lisboa, 1978.
  • PEREIRA, Eduardo C.N; "Ilhas de Zarco", Vol.1, 4ª Ed., Câmara Municipal do Funchal, Funchal, 1989.
  • FERREIRA, Lídia, Catálogo da exposição "Um grão levado pela corrente", Museu Etnográfico da madeira, Ribeira Brava, 1996, texto policopiado.

Exposições

  • Exposição permanente "Um grão levado pela corrente"

    • Exposição Física

Obras relacionadas

Multimédia

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