Descrição: Painel de dezasseis azulejos policromos, padrão 4x4/2: azul, verde, amarelo, laranja sobre branco. Este padrão é uma complexa composição conseguida a partir de apenas dois azulejos diferentes. Decoração central composta por quatro folhas de acanto azuis e brancas, com nervura laranja, ligeiramente fletidas criando um efeito de rotação. As folhas irradiam de um núcleo azul, contornado a amarelo e encontram-se intercaladas por um motivo oval, amarelo, rematado por flor-de-lis. Este centro apresenta-se enquadrado por folhas de acanto verdes que partem, aos pares, de anéis lobulados, por onde também passam estreitos aros amarelos, formando amplos círculos que transpõem os limites da moldura do tipo ferronerie. Esta moldura é composta por secções rectas intercaladas por outras curvas, em azul debruado a amarelo. Um reticulado de motivos vegetais estilizados e pequenas flores estabelece a ligação com centros secundários secor de melhantes aos primeiros.
Origem/Historial: Santos Simões (Azulejaria nos Açores e na Madeira. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1963) atribui a data de 1632 aos exemplares mais remotos deste padrão existente na capela de Simão Preto da Igreja de Santa Maria do Olival, em Tomar. Realça que o modelo esteve em voga muito tempo, dando origem a diversas variantes, tendo a sua produção continuado pelo período de transição dos séculos 17 e 18, muito embora limitada aos tons de azul. Apesar de muito difundido na Madeira, este padrão nunca foi aplicado na sua versão integral e mais decorativa, de módulos de 4x4 azulejos; foi antes decomposto em padrões de 2x2, criados a partir de cada um dos elementos diferentes que compõem o padrão original. Desconhece-se se essa opção foi deliberada, ou se foi uma solução de recurso especialmente para os casos onde os espaços eram menores e os alçados não comportavam tão grandes composições. É interessante constatar que os dois padrões, na sua versão reduzida, convivem a par – revestindo as mesmas paredes ou diferentes dependências de um mesmo templo – em muitos dos locais onde se encontram. Este é o caso da Capela de São Gonçalo de Amarante, do Convento de Santa Clara, no Funchal e na Igreja Paroquial de São Jorge, no Concelho de Santana.
Incorporação: Testamento
Centro de Fabrico: Portugal
Bibliografia
CALADO, Rafael Salinas - Azulejaria na Madeira & na Colecção da Casa-Museu Frederico de Freitas. Funchal: DRAC, 1999
SAPORITI, Teresa - Azulejaria do distrito de Portalegre. Lisboa: Feoga-Orientação, 2006
SILVA, Fernando Augusto - Subsídios para a História da Diocese do Funchal-1425-1800. Funchal: Tip. de "o Jornal", 1946
SIMÕES, J.M. dos Santos - Azulejaria nos Açores e na Madeira. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1963
SIMÕES, J.M.dos Santos; Emílio Guerra de Oliveira - Azulejaria em Portugal no Século XVII, Tomo I- Tipologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1997
800 Anos de História do Azulejo - Museu Berardo Estremoz (Catálogo), Associação de Colecções, 2020
Exposições
Obras de Referência dos Museus da Madeira (PNA)
Galeria de Pintura do rei D. Luís I, Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa