Descrição: Painel de dezasseis azulejos policromos, padrão 2x2/1: azul, verde, amarelo, laranja sobre fundo branco. Apresenta dois centros decorativos, um florão e um motivo em cruz que se intercalam. A decoração central é composta por quatro folhas de acanto azuis e brancas, com nervura central a amarelo, ligeiramente fletida produzindo efeito de rotação. As folhas irradiam de um centro azul, sublinhado por filete amarelo intercaladas por motivo amarelo alongado rematado por flor-de-lis. Limita o painel uma cercadura de flores e enrolamentos azul e branca. No topo, este painel é rematado por uma cercadura azul e branca delimitada superior e inferiormente por faixa branca entre filetes azuis e campo preenchido por uma flor cruciforme dentro de moldura, de enrolamentos estilizados, intercalada por motivos vegetais, também estilizados, que estabelecem a ligação entre as peças.
Origem/Historial: Este painel de azulejos é uma variante do painel inventariado com o número 1/1;1CR, conseguida a partir da utilização de apenas um dos seus elementos, originando um outro padrão de 2x2/1, de diferente esquema decorativo.
Azulejos de idêntico padrão encontram-se aplicados ainda em vários templos da Madeira, existindo também imensos elementos dispersos que testemunham a sua larga difusão. No Funchal, encontramos uns elementos mal ordenados no Convento de Santa Clara (Capela de São Gonçalo de Amarante), restos num pequeno poço do jardim da Capela da Penha de França, nas instalações da Fundação Livraria Esperança, à Rua dos Ferreiros e na Quinta da Palmeira, provenientes da desaparecida Capela de Nossa Senhora do Livramento, no Caniço. Afastados do centro, existem na Capela de Nossa Senhora da Salvação, sítio dos Moinhos, no Caniço e nas sacristias das igrejas de Nossa Senhora da Luz, na Ponta do Sol, de São Jorge, no concelho de Santana e do Senhor Bom Jesus, em Ponta Delgada, concelho de São Vicente.
Santos Simões (Azulejaria nos Açores e na Madeira. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1963) atribui a data de 1638-40 para a colocação destes azulejos na nave da Igreja de São Jorge. A Capela da Nossa Senhora da Penha de França foi fundada em 1622, a da Salvação em 1614 e a de Nossa Senhora do Livramento, em 1660. Todas as igrejas paroquiais referidas passaram por remodelações nos meados de seiscentos, não se conhecendo a data precisa da colocação de muitos dos respectivos revestimentos cerâmicos. De qualquer modo, os anos de 1638 e 1660 balizam um período muito provável para a aplicação deste tipo de revestimentos na Madeira.
Incorporação: Testamento
Centro de Fabrico: Portugal
Bibliografia
CALADO, Rafael Salinas - Azulejaria na Madeira & na Colecção da Casa-Museu Frederico de Freitas. Funchal: DRAC, 1999
SAPORITI, Teresa - Azulejaria do distrito de Portalegre. Lisboa: Feoga-Orientação, 2006
SILVA, Fernando Augusto - Subsídios para a História da Diocese do Funchal-1425-1800. Funchal: Tip. de "o Jornal", 1946
SILVA, Fernando Augusto da; Carlos Azevedo de Meneses - Elucidário Madeirense Vol. II. Funchal: Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal, 1945
SIMÕES, J.M. dos Santos - Azulejaria nos Açores e na Madeira. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1963
SIMÕES, J.M.dos Santos; Emílio Guerra de Oliveira - Azulejaria em Portugal no Século XVII, Tomo I- Tipologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1997
SARMENTO, Alberto Artur - Freguesias da Madeira. Funchal, Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal, 1953
Exposições
Obras de Referência dos Museus da Madeira (PNA)
Galeria de Pintura do rei D. Luís I, Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa