Descrição: Painel de dezasseis azulejos policromos, padrão 2x2/1: azul, amarelo, laranja sobre fundo branco. A composição apresenta dois centros, um pintado com círculos azuis debruados a amarelo e outro constituído por 4 folhas de acanto irradiantes de um núcleo azul avivado a amarelo. Amplos aros amarelos atravessam e ligam os vários círculos, que se encontram inscritos numa grelha disposta na diagonal, formada por um reticulado de hastes, folhas e pequenas flores estilizadas. O conjunto é rematado por uma cercadura entre dois frisos. Os frisos apresentam fundo azul, filete amarelo delimitando ambos os lados de um campo pintado com um motivo entrançado, branco, cujos espaços centrais são preenchidos a amarelo e marcados a meio com um ponto azul; pequenas flores servem de elemento de ligação nas extremidades. A cercadura, pintada a azul, verde, laranja, amarelo e branco, apresenta flores enquadradas por duplas molduras circulares e octogonais, que se alternam unidas por motivos em “S” afrontados e deitados. Ambas as bordas são sublinhadas por filete amarelo e por faixas, a branco e a azul.
Origem/Historial: Este padrão de 2x2 é a outra variante, concretizada a partir do segundo azulejo do módulo do padrão de 4x4, descrito com o número de inventário 1/1;1CR. À semelhança do que acontece com a outra variante, estes azulejos tiveram uma boa aceitação, surgindo disseminados por diversos pontos da ilha: no Funchal, aplicados no Convento de Santa Clara (entrada do claustro e Capela da São Gonçalo de Amarante); na Ponta do Sol e em São Jorge, nas naves das respectivas igrejas paroquiais; outros vestígios têm sido pontualmente localizados.
No tocante à possível cronologia deste revestimento na Madeira, como já foi apontado por Santos Simões (Azulejaria nos Açores e na Madeira. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1963) o segundo e o terceiro quartel de seiscentos são as datas limites mais concretas relativas à sua utilização. A cercadura e o friso são de tipos comuns, muito utilizados entre nós, associados aos mais diversos padrões do século 17.
Incorporação: Testamento
Centro de Fabrico: Portugal
Bibliografia
CALADO, Rafael Salinas - Azulejaria na Madeira & na Colecção da Casa-Museu Frederico de Freitas. Funchal: DRAC, 1999
SAPORITI, Teresa - Azulejaria do distrito de Portalegre. Lisboa: Feoga-Orientação, 2006
SILVA, Fernando Augusto - Subsídios para a História da Diocese do Funchal-1425-1800. Funchal: Tip. de "o Jornal", 1946
SIMÕES, J.M. dos Santos - Azulejaria nos Açores e na Madeira. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1963
SIMÕES, J.M.dos Santos; Emílio Guerra de Oliveira - Azulejaria em Portugal no Século XVII, Tomo I- Tipologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1997
Exposições
Obras de Referência dos Museus da Madeira (PNA)
Galeria de Pintura do rei D. Luís I, Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa